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Grupos Temáticos

28/09/2019 - 15:00 - 16:30
EO-35D - GT 35 - Vulnerabilidade Infanto-Juvenil: Configurações e Enfrentamentos

30345 - DESENVOLVIMENTO SOCIO-EMOCIONAL EM CRIANÇAS DE 0-6 ANOS EM UMA PERIFERIA BRASILEIRA
MARIA WANDERLEYA DE LAVOR CORIOLANO-MARINUS - UFPE, GRACIELLY KARINE TAVARES SOUZA - UFPE, VITÓRIA LÚCIA DA SILVA - UFPE, RUTE COSTA RÉGIS DE SOUSA - UFPE, FABIA ALEXANDRA POTTES ALVES - UFPE, GABRIELA CUNHA SHECHTMAN SETTE - UFPE, MARIA ILK NUNES DE ALBUQUERQUE - UFPE, JULIANE LIMA PEREIRA DA SILVA - UFPE


Introdução
A primeira infância é o período mais significativo para o desenvolvimento socioemocional saudável, é nos primeiros anos de vida que se processa a etapa mais importante do desenvolvimento cerebral, a partir da interação entre os fatores genéticos e as influências do meio em que a criança vive.1
Embora exista hereditariamente uma predisposição a desenvolver determinados comportamentos e condutas, esses são modulados pelas vivências da criança diante dos primeiros cuidados recebidos. Assim, a falta de cuidados, estimulações e interações adequadas têm repercussões no aprendizado e rendimento escolar.1
Apesar de existir evidências científicas relacionadas à importância da vigilância do desenvolvimento infantil, há escassez na literatura pediátrica brasileira acerca do rastreio e da avaliação do desenvolvimento socioemocional na primeira infância.
Objetivo
Avaliar os fatores relacionados ao desenvolvimento socioemocional de crianças de 0-6 anos vivendo em uma periferia brasileira.
Metodologia
Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa. Realizado na área adstrita de uma Unidade de Saúde da Família (USF) do município de Recife. O relato de pesquisa aqui descrito refere-se a um estudo ainda em andamento e, portanto, a amostra que irá ser trabalhada será de 86 crianças, referente ao quantitativo coletado até o momento.
Como instrumentos de coleta de dados, foram aplicados um questionário socioeconômico e demográfico, e o Ages & Stages Questionnaires: Social-Emotional (ASQ-SE), uma alta pontuação no instrumento é indicativa de problemas no desenvolvimento socioemocional.3
Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco para apreciação e foi aprovada sob o parecer nº 2.489.661, e seguiu os princípios éticos de acordo com a Resolução 510/16.
Resultados e discussão
O risco para alterações no desenvolvimento socioemocional, foi mais prevalente nas crianças que: as mães (n=2;50,0%) tinham cursado apenas até o ensino fundamental; não trabalhavam (n=18;45,0%); suas famílias tinham renda de até um salário mínimo (n=17;45,9%;p-valor=0,020); eram beneficiarias do Bolsa família (n=5;45,5%); tinham mais de três filhos (n=3;42,9%); viviam em casas com um a três cômodos (n=3;60,0%) e faziam uso de mídias três ou mais vezes durante o dia (n=19;44,2%).
A renda familiar foi a única variável que mostrou associação estatisticamente significante com o escore do ASQ-SE, sabe-se que uma renda familiar mais alta tem efeito positivo no desenvolvimento infantil, as crianças que crescem na pobreza ficam atrás quando comparadas as que são de classe média, observa-se também que as interações verbais entre pais e filhos no contexto do brincar e da leitura são menos frequentes em famílias com baixo nível socioeconômico.3
Assim como em nosso estudo, a variável número de filhos, tem sido figurada na literatura como uma variável demográfica importante para o desenvolvimento infantil, isso pode ser explicado pelo fato de que, o aumento no número de filhos tende a acarretar uma competição entre os recursos e entre a atenção dos pais com os filhos.4
A mídia tem se tornado cada vez mais parte do cotidiano das crianças de maneira geral, porém as crianças de famílias com baixo nível socioeconômico tendem a ser mais vulneráveis aos efeitos adversos da exposição na mídia por serem mais exposta à mesma, ocupando o espaço de outras atividades durante a rotina da criança.4
Considerações Finais
O risco para alterações no desenvolvimento socioemocional, foi mais prevalente em crianças cujas mães tinham cursado apenas o ensino fundamental; não trabalhavam; suas famílias tinham renda de até um salário mínimo; eram beneficiárias do Bolsa família; tinham mais de três filhos; viviam em casas com um a três cômodos e faziam uso de mídias três ou mais vezes durante o dia.
Referências
1. Diniz DR. Implantação do Programa São Paulo pela Primeiríssima Infância no Município de Itatiba. Estratégias para alcançar um desenvolvimento infantil integral. Bol. Inst. Saúde. 2015;16(1): 23-29.
2. Macana EC, Comim F. Avaliação do desenvolvimento infantil e a influência da família: uma análise a partir do modelo de equações estruturais MIMIC. In: Anais do XLIII Encontro Nacional de Economia ANPEC; 2015. Florianópolis, SC. Florianópolis: Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia; 2015 p. 1-20.
3. Squires J, Bricker D, Twombly E. ASQ: SE: Ages & Stages Questionnaires: Social-Emotional: versão portuguesa. In: Lemos M.S, Gamelas AM, Lima JA. Instrumentos de investigação desenvolvidos, adaptados ou usados pelo Grupo de Investigação Desenvolvimental, Educacional e Clínica com Crianças e Adolescentes. 2ª ed. 2013; p.159-161.
4. Tomopoulos S, Dreyer BP, Berkule S, Fierman AH, Brockmeyer C, PhD, Mendelsohn, AL . Infant Media Exposure and Toddler Development. Arch Pediatr Adolesc Med. 2010;164(12): 1105–1111.

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