29/09/2019 - 13:30 - 15:00 EO-8F - GT 8 - Responsabilidade, Desigualdades e Cuidado |
31559 - TUBERCULOSE SOB A ÓTICA DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE: UMA DISCUSSÃO SOBRE RESPONSABILIDADE DO CUIDADO E INTEGRALIDADE DA ASSISTÊNCIA CÁTHIA ALESSANDRA VARELA ATAIDE - UFRN, RENATHA CELIANA DA SILVA BRITO2 - UFRN, RÔNISSON THOMAS DE OLIVEIRA SILVA - UFRN, ESLIA MARIA NUNES PINHEIRO - UFRN, ANA LUIZA DE OLIVEIRA E OLIVEIRA - UFRN
INTRODUÇÃO
Em todo o mundo, a tuberculose é reconhecida como uma doença socialmente determinada, sendo sua ocorrência diretamente associada à forma como se organizam os processos de produção do capital, relacionados aos modos de viver, condições de trabalho, fatores ambientais e outros determinantes sociais, como a vulnerabilidade social e a violência (BONADONNA, 2017).
Considerando o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), de 1999, está previsto o fortalecimento do sistema de saúde na atenção primária, associado à mobilização social, com vistas ao aumento da detecção de casos de TB (ALMEIDA, 2009; BRASIL, 2002, ARAÚJO, 2017). Sendo assim, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) é considerado como um profissional fundamental para a ampliação do acesso e integralidade do cuidado aos usuários, fortalecendo os vínculos e realizando ações de prevenção e promoção à saúde (SOBRINHO, 2013).
Portanto, fundamentado na necessidade de descentralizar as responsabilidades na produção do cuidado e considerando a importância do ACS no processo de trabalho da Estratégia de Saúde da Família (ESF), o presente estudo objetiva analisar a compreensão dos ACS do município de Currais Novos, Rio Grande do Norte, Brasil, acerca da tuberculose.
OBJETIVOS
Considerando a importância do ACS no processo de trabalho da ESF, o presente estudo objetivou analisar a compreensão de ACS no município de Currais Novos/RN acerca da tuberculose.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo do tipo descritivo com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada no município de Currais Novos, localizado na região do Seridó no estado do Rio Grande do Norte.
A coleta dos dados foi realizada no mês de dezembro de 2018, por meio de um instrumento, elaborado pela autora, composto por questões abertas e fechadas, que versavam sobre os aspectos sociodemográficos e acerca do conhecimento sobre Tuberculose. A população do estudo foi constituída por 76 ACS que atuam neste Município. Os critérios de inclusão foram o vínculo ativo com o município e o exercício da profissão por mais de um ano. Os dados foram analisados por meio de planilha eletrônica no Microsoft Excel versão 2016.
Insta frisar que, por se tratar de uma pesquisa envolvendo seres humanos, a pesquisa foi apreciada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA)/UFRN e foi solicitado aos participantes a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No que se refere ao perfil sociodemográfico dos ACS que participaram da pesquisa, verifica-se que a maioria era proveniente da zona urbana e do sexo feminino. No tempo de atuação como ACS observou-se uma grande variação, compreendendo de 04 a 29 anos de atuação. Em relação à renda, os participantes recebem em média entre um e dois salários mínimos (48%).
Ainda de acordo com os resultados da pesquisa, evidenciou-se que 93% dos participantes já ouviram falar em tuberculose, 96% conhecem alguém que tem ou que já teve a tuberculose e 52% já acompanhou o tratamento da pessoa com tuberculose. Foram observados erros referentes a conceitos básicos da doença, como agente etiológico (49%), tratamento (16%) e prevenção (12%). No tocante à autoavaliação realizada pelos profissionais, apenas 28% considerou seu conhecimento do tema como “muito bom”.
Esses resultados corroboram com os estudos de Nogueira et al. (2007) e Maciel (2008) que apresentam a dificuldade dos ACSs em relação à identificação e manejo dos sintomáticos respiratórios e incoerências das informações quanto aos sinais e sintomas e tratamentos da doença.
As consequências dessas observações são ordem política, institucional e social, uma vez que revelam que, apesar da proximidade com os usuários e o acompanhamento de casos da doença, os conhecimentos muitas vezes não são compartilhados entre a equipe de saúde, deixando o ACS com uma função majoritariamente burocrática (ALONSO, 2018).
Para além das intervenções na cadeia de transmissão e diagnóstico precoce da doença, o envolvimento dos ACS no cuidado pode e deve resultar na diminuição do estigma e da culpabilização dos indivíduos, com vistas a construir ações mais amplas que trabalhem na dimensão coletiva da doença: justiça social (ZOBOLI, 2016).
CONCLUSÕES
Os resultados da investigação realizada revelam um distanciamento dos ACS de aspectos importantes da tuberculose, cuja consequencia é a diminuição do potencial de atuação desses profissionais como elo entre a comunidade e a atenção primária à saúde.
A ampliação do debate acerca da prevenção e tratamento da tuberculose passa pela descentralização do conhecimento clínico e construção coletiva de ações.
Reforça-se, portanto a necessidade do estabelecimento da educação permanente em saúde no processo de trabalho dos profissionais de saúde, enquanto estratégia político-pedagógica para a melhoria do acesso, qualidade e humanização na prestação de serviços, bem como para o fortalecimento dos processos de trabalho.
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