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Grupos Temáticos

29/09/2019 - 15:00 - 16:30
EO-11E - GT 11 - Políticas públicas de saúde e experiências de atenção, cuidado e cura

30723 - ENTRE CHÁS E GARRAFADAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA TROCA DE SABERES ENTRE RAIZEIRAS E RAIZEIROS DA CHAPADA DO ARARIPE NO III ENCONTRO DE SABERES DA CAATINGA
RAFAELLA MIRANDA MACHADO - FIOCRUZ/PE, ALESSANDRA MARIA MONTEIRO E SILVA - FIOCRUZ/PE, ÉLIDA DIAS CÂNDIDO - FIOCRUZ/PE, FRANCISCO JAIME RODRIGUES DE LIMA FILHO - FIOCRUZ/PE, ISLÂNDIA MARIA CARVALHO SOUSA - FIOCRUZ/PE, MARIA JOSÉ DA SILVA - UPE, RENÊ DUARTE MARTINS - UFPE/CAV


CONTEXTUALIZAÇÃO: O Encontro de Saberes da Caatinga acontece no município de Exu desde o ano de 2017, reunindo a população local e de outros Estados brasileiros, acadêmicos, terapeutas, instituições de ensino e pesquisa, organizações e/ou instituições governamentais e não governamentais. O evento centra-se nas experiências e vivências relacionadas às práticas de cura de raizeiras/raizeiros, parteiras e benzedeiras/ benzedores da Chapada do Araripe, que engloba os estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, promovendo grandes rodas de diálogo com temáticas diferentes a cada ano. Em 2019 o tema foi “Reconhecer e Curar”. Desde a sua primeira edição assume o compromisso de protagonizar os saberes destas pessoas com vistas à sua valorização social e preservação cultural.
DESCRIÇÃO: Sentados, ombro a ombro, em uma grande roda, as raizeiras e raizeiros de municípios de Pernambuco e Ceará encontraram-se em janeiro do ano corrente por três dias de evento, durante manhã e tarde na Chácara Paraíso da Serra, na cidade de Exú/PE, sede do evento. Em número de 29 pessoas, mulheres e homens de faixas etárias que variaram de adultos jovens a idosos, compuseram a roda. O grupo esteve acompanhado pela mediação de um dos idealizadores do evento, sob olhares atentos de um amontoado de jovens curiosos portando seus diários de campo sentados ao chão no entorno e centro da roda. A dinâmica das trocas esteve preocupada em discutir e responder às demandas de saúde não resolvidas por estes agentes tradicionais de cura em suas práticas rotineiras com plantas medicinais. Assim, uma raizeira ou raizeiro cita alguma dificuldade em tratar uma condição de saúde e os demais relatam suas experiências no uso de plantas medicinais para resolução do problema abordado. Durante os dias foram revisitados problemas de saúde como osteoporose, etilismo, depressão, câncer, alergia respiratória, enxaqueca, fibromialgia e outras problemáticas que suscitaram construções e reconstruções de saberes. Uma infinidade de receitas caseiras de seus repertórios particulares também veio à tona, entre elas rezas acompanhadas de chás de sementes de diferentes espécies, garrafadas maturadas abaixo da terra e plantas medicinais nativas e exóticas.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO: As trocas de saberes aqui discutidas aconteceram no III Encontro de Saberes da Caatinga durante os dias 25 a 27 de janeiro de 2019.
OBJETIVO: Relatar a experiência de escuta na troca de saberes realizada entre raizeiras e raizeiros moradores de municípios localizados na Chapada do Araripe.
RESULTADOS: Discutir os resultados desta observação implica em me localizar neste espaço como estudante de residência em saúde coletiva da Fiocruz-PE, parceira do evento, como comissão organizadora no sentido de registrar as falas das raizeiras e raizeiros para sistematização em banco de dados qualitativos do Encontro. A mesma se encarrega de devolver aos envolvidos todo o conhecimento surgido e compartilhado. Neste caso, a sistematização de informação para construção de uma cartilha contendo todas as indicações, como propriedade intelectual, de remédios caseiros utilizando espécies vegetais da região para os males discutidos, pessoa por pessoa.
APRENDIZADOS: para além de exercitar a escuta e o não engessamento em uma carga intelectual pregressa e por vezes contraditórias às visões de mundo ali estabelecidas, este tornou-se um momento de revisita. Revisita pela necessidade ali criada de reinterpretar as visões particulares acumuladas sobre o corpo, a saúde e a própria construção de saberes. As trocas presenciadas permitiram compreender a Chapada do Araripe como lugar que produz plenamente o conhecimento, de forma culturalmente particular, e que reflete sobre a problemática local, para além dos muros que cercam grandes instituições de ensino e pesquisa.
ANÁLISE CRÍTICA: de fato não nos cabe, como pesquisadores, a libertação desses saberes legítimos por tanto tempo marginalizados pela cultura médica ocidental. Mas, temos condições de repensar a forma como nos limitamos a produzir cientificamente em favor das doenças e do que sabemos sobre ela. Da mesma forma, reconhecer a pluralidade de saberes disponíveis, sem necessariamente anular um como mágico-fantasioso em favor de outro como verdade absoluta. Encontros como este dão suporte para revisitarmos outros saberes de forma genuína, mas isso só é possível se os mesmos forem apreendidos fora dos julgamentos moldados por uma ciência mecanicista e descontextualizada culturalmente. Assim, evitamos os acontecimentos minimamente vexatórios decorrentes da postura característica do homem branco europeu em terras tupiniquins, dentro do fazer científico. Para tanto, cabe uma aproximação com os valores, crenças e símbolos que dão sentido às práticas de cura exercidas pelos raizeiros, inseridas na visão de mundo que foi construída a partir da sua relação com o território.

local do evento

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Campus Central

A Universidade Federal da Paraíba é reconhecida pela sua excelência no ensino e em pesquisas tecnológicas e, atualmente, encontra-se entre as melhores Universidades da América Latina.

Campus I - Lot. Cidade Universitaria, João Pessoa - PB, 58051-900