30/09/2019 - 13:30 - 15:00 EO-36D - GT 36 - Eixo 3 – Sistemas de Saúde e Tradições de Cura no Brasil: descolonização de saberes e práticas emancipatórias. |
30602 - CUIDADO ESPIRITUAL COM A MÃE DE BEBÊ PORTADOR DE MALFORMAÇÃO CONGÊNITA: PERCEPÇÃO DE ENFERMEIROS ASSISTENCIAIS ANA CLÁUDIA GOMES VIANA ANA CLÁUDIA G. VIANA - IESP, MARIA EMÍLIA LIMEIRA LOPES - UFPB, JANCELICE DOS SANTOS SANTANA - IESP
INTRODUÇÃO - Ao descobrir a anomalia congênita do filho, a mãe, tende a vivenciar forte impacto emocional que resultam em sentimentos como: medo, choque, negação e até mesmo a sensação de luto pela perda do filho idealizado. Nesse tocante, é comum que os pais recorram aos aspectos espirituais com o intuito de buscar força para enfrentar uma situação que diverge da planejada, visto que a anomalia congênita do filho impõe mudanças no cotidiano da família. No âmbito da assistência à saúde, a espiritualidade vem se destacando por representar fonte de força e conforto diante do enfrentamento de situações difíceis. É compreendida como algo que norteia o indivíduo na busca pelo sentido e pelo significado da vida, a espiritualidade transcende o tangível e proporciona o sentir humano à experiência de algo maior que a própria existência, podendo ou não associar-se a uma prática religiosa formal. OBJETIVO - Compreender a dimensão da espiritualidade no cuidado com a mãe de bebê portador de malformação congênita na percepção de enfermeiros assistenciais. MÉTODO - Estudo de campo, abordagem qualitativa, realizado em uma instituição pública de saúde, situada no município de João Pessoa (PB). A população do estudo foi composta por 11 enfermeiras assistenciais que atuam na Unidade de Cuidado Intensivo Neonatal e na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal que atenderam os critérios de inclusão: estar em exercício profissional durante a fase de coleta de dados; ter, no mínimo, um ano de atuação no local selecionado para o estudo. Foram excluídas as enfermeiras que estavam afastadas de suas atividades laborais por motivo de licença e de férias. Ressalta-se que a Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisas com seres humanos foi cumprida. Deu-se início a coleta de dados após o recebimento da certidão de aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal da Paraíba (CCS/UFPB), conforme CAEE de no 86954218.0.0000.5188. A coleta de dados ocorreu nos meses de junho e julho de 2018, mediante a técnica de entrevista semiestruturada. Para preservar o anonimato das participantes, os depoimentos foram identificados pela letra “E”, relativa à palavra enfermeira, seguida do número da entrevista. Os dados obtidos através das entrevistas foram submetidos à técnica de análise de conteúdo. RESULTADOS E DISCUSSÃO - As 11 enfermeiras que participaram do estudo reconheceram o cuidado espiritual como importante recurso para as mães que lidam com o nascimento do filho malformado. Para essas profissionais, através do cuidado espiritual, há uma maior aproximação das mães com algo divino que, nesse momento, caracteriza-se como fonte de força, ajuda, conforto e paz, podendo levar à superação das inquietudes despertadas pela malformação congênita do bebê. Reconhecem que a família, em especial a mãe de um recém-nascido malformado, demanda uma necessidade de acolhimento e cuidado diferenciado, visto que essas pessoas, por não terem conhecimento sobre a anomalia, deparam-se com o susto e estranhamento. Como estratégia para ofertar o cuidado espiritual, mencionaram a escuta, a comunicação, a oração, o toque e o olhar no olho como forma de cuidar espiritualmente dessas mulheres. Compreendem que a livre demonstração de sentimentos pode favorecer a suavização da dor da alma, como também o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. Isto posto, cabe reconhecer que a espiritualidade constitui-se em um recurso terapêutico significativo para as mães de bebês malformados. O estudo apontou haver uma lacuna na formação profissional dessas enfermeiras, visto que todas as participantes relataram não ter recebido capacitação aprofundada para ofertar cuidado espiritual. Notou-se também que as atribuições burocráticas e a sobrecarga de trabalho durante o plantão foram relatadas como algo que pode fragilizar a oferta dessa forma de cuidado. CONSIDERAÇÕES FINAIS - As enfermeiras reconhecem que o cuidado espiritual ofertado as mães de bebês malformados auxiliam-nas no enfrentamento do tornar-se mãe de bebê malformado. Contudo, apontam a sobrecarga de trabalho e as atividades burocráticas como algo que pode fragilizar a oferta desse tipo de cuidado.
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