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Grupos Temáticos

30/09/2019 - 13:30 - 15:00
EO-36D - GT 36 - Eixo 3 – Sistemas de Saúde e Tradições de Cura no Brasil: descolonização de saberes e práticas emancipatórias.

31495 - III ENCONTRO DE SABERES DA CAATINGA: O OLHAR DE RESIDENTES EM SAÚDE INSERIDOS NO PROCESSO ORGANIZATIVO
ALESSANDRA MARIA MONTEIRO E SILVA - FIOCRUZ/PE, ISLÂNDIA MARIA CARVALHO SOUSA - FIOCRUZ/PE, RAFAELLA MIRANDA MACHADO - FIOCRUZ/PE, ÉLIDA DIAS CÂNDIDO - FIOCRUZ/PE, FRANCISCO JAIME RODRIGUES DE LIMA FILHO - FIOCRUZ/PE, RENÊ MARTINS DUARTE - UFPE, MARIA JOSÉ DA SILVA - UPE


O Encontro de Saberes da Caatinga (ESC) – enquanto espaço de fortalecimento de conhecimentos tradicionais – é realizado anualmente desde o ano de 2017 no município de Exu/PE na Região da Chapada do Araripe e ocorre primordialmente devido a organização de atores sociais locais. O Encontro tem como objetivo o protagonismo dos Agentes de Cuidado (AC) da Região, os quais à nível organizativo se reúnem em três espaços de diálogo: Raizeiros (as), Benzedores (as) e Parteiras. Foi discutido durante os ciclos de realização a identificação com as práticas de cuidado, a cura direcionada aos sistemas do corpo humano e as peculiaridades do reconhecer e curar no ano de 2019, salvaguardando as especificidades de abordagem e perspectivas discutidas em cada grupo por ciclo.
Objetivou-se analisar a experiência vivenciada por Residentes em Saúde na participação do processo de construção do III ESC, realizado entre os dias 25 e 27 de janeiro de 2019, precedido pelo momento pré-encontro de duração de 7 dias, com realização de oficinas temáticas.
Em decorrência do apoio institucional realizado pelo Instituto Aggeu Magalhães-FIOCRUZ/PE ao Encontro de Saberes da Caatinga, foi possível a inserção de Residentes em Saúde – modalidade Saúde Coletiva e Saúde Mental – nas atividades da Comissão Organizadora do evento. Esta vivência possibilitou acompanhar o processo de troca de saberes no período pré-encontro através de oficinas de temáticas oferecidas por facilitadores voluntários como Alimentação Viva, Bioenergética e Aprendiz de Raizeiro dentre outras com valorização de epistemologias não dominantes. Enquanto no período do III ESC, foi possível contribuir com a coleta de dados para a posterior sistematização dos conhecimentos discutidos nos espaços de diálogo com o objetivo de análises futuras. Durante o Encontro, como estratégia de fortalecimento e valorização dos saberes tradicionais, apenas os AC possuíram o poder de fala, enquanto os demais participantes acompanharam como ouvinte as discussões.
Observou-se, a participação da população local da Chapada do Araripe, além de participantes de todas as Regiões do Brasil, assim como de países da América do Sul com ou sem vínculos acadêmicos e com instituições de pesquisa. Foram registrados cerca de 500 atores sociais entre AC, participantes, facilitadores das oficinas e atores componentes da Comissão Organizadora. Apesar da separação em três rodas, houve fluidez na ocupação destes espaços no que tange a identificação desses sujeitos com as práticas e conhecimentos, não sendo excludentes. Em cada espaço de diálogo foi desenvolvido um método de interação que mais se adequasse as especificidades de cada grupos. Na roda dos Raizeiros (as) foi sugerido que cada sujeito trouxesse um problema de saúde o qual não obtiveram sucesso anteriormente ou alguma questão fruto de curiosidade como estratégia metodológica para discussão do processo de reconhecimento e cura destas patologias. De forma semelhante, o grupo das Parteiras evidenciou as especificidades de reconhecimento e cura nos ciclos de pré-parto, parto e pós-parto. Enquanto na roda dos Benzedores (as) houve a troca de experiências de vida relacionadas a espiritualidade e o ato de curar o outro. Ademais, foram construídos espaços abertos a todos de troca de experiências e produtos artesanais nos intervalos das discussões, além de apresentações artísticas de grupos de teatro com temática relacionada ao tema do Encontro.
Apesar da ideia que os saberes tradicionais estão perdendo espaço em detrimento dos conhecimentos produzidos a partir das concepções das epistemologias modernas ocidentais, foi marcante a participação local e externa. Este fato evidencia a continuidade deste lugar de atuação e o interesse por este conhecimento produzido localmente tanto para a academia quanto para uso pessoal. Enquanto profissionais de saúde inseridos no serviço através do Programa de Residência foi essencial a oportunidade de refletir acerca da lógica da verdade cientifica posta na atualidade. A provação científica por vezes invalida práticas e conhecimentos tradicionais em detrimento do que é “inquestionavelmente” provado pela ciência. Este olhar epistemológico subalterniza conhecimentos e pessoas segundo a hierarquia da ciência. Segundo Focault (2002), a expressão desta dominação denominada de biopoder exerce o papel instrumento biopolítico. Enquanto espaço de enfrentamento a esta lógica, o ESC fortalece os conhecimentos tradicionais e possibilita maior apreensão para a população com menor contato a eles. Como produto, o ESC enfatiza que a imensidão do que Boaventura (2009) caracteriza como Epistemologias do Sul, a exemplo dos Saberes Tradicionais da Caatinga, são válidos mesmo notadamente a margem do saber científico. Como estratégia dialética a este contexto, torna-se de interesse um olhar acerca da Ecologia de Saberes como instrumento de síntese epistemológica incluindo a demais lógicas de produção de saúde com a valorização de suas subjetividades.

local do evento

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Campus Central

A Universidade Federal da Paraíba é reconhecida pela sua excelência no ensino e em pesquisas tecnológicas e, atualmente, encontra-se entre as melhores Universidades da América Latina.

Campus I - Lot. Cidade Universitaria, João Pessoa - PB, 58051-900