30/09/2019 - 15:00 - 16:30 EO/CB-17E - GT 17 - Iniquidades em Saúde: Análise de Trajetórias de Vida, Formas Sistemáticas de Adoecimento e Intervenções Sobre os Seus Determinantes. |
31581 - A INFLUÊNCIA DA RAÇA NO USO E QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE REALIZADOS EM IDOSOS NO BRASIL: UMA ANÁLISE DO ELSI-BRASIL. MARIA APARECIDA TURCI - UNIVERSIDADE JOSÉ DO ROSÁRIO VELLANO - UNIFENAS, JULIO CESAR ARNONI JUNIOR - UNIVERSIDADE JOSÉ DO ROSÁRIO VELLANO - UNIFENAS, NATHALIA LEITE LARA NUNES - UNIVERSIDADE JOSÉ DO ROSÁRIO VELLANO - UNIFENAS, LARISSA MENDONÇA VIDA - UNIVERSIDADE JOSÉ DO ROSÁRIO VELLANO - UNIFENAS, JAMES MACINKO - UNIVERSITY OF CALIFORNIA, UCLA
APRESENTAÇÃO/INTRODUÇÃO
As desigualdades em saúde provocadas pelas diferenças sociais são consideradas iniquidades, que são consideradas injustas. Há prejuízos nas condições de saúde e adoecimento entre grupos com diferentes posições socioeconômicas, cores/raças e sexos/gêneros e essas relações sociais e econômicas produzem formas de acesso aos serviços de saúde. A exclusão social por pertencimento a um grupo étnico é considerada um determinante social da saúde para a Organização Mundial de Saúde.
O acesso e a utilização dos serviços de saúde variam de acordo com as características socioeconômicas, mas estudos sobre diferenças raciais são escassos. Contudo, os existentes mostram que minorias apresentam maior dificuldade em conseguir cuidados em saúde, tem menos opções de provedores, utilizam mais os serviços de urgência ou hospitais e tem menor afiliação a serviços de atenção primária. Mesmo diante de oferta equivalente de serviços, as diferenças se mantem.
OBJETIVO
O objetivo desse estudo foi verificar diferenças no uso e na qualidade da assistência médica recebida entre grupos raciais distintos.
METODOLOGIA
Foram utilizados dados de 9.412 participantes do Estudo Longitudinal sobre a Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), que é uma coorte de base populacional representativa para o Brasil, de pessoas maiores de 50 anos, relativos à linha de base foi conduzida em 2015/2016. Foram construídos indicadores de uso e da qualidade dos serviços de saúde, que foram analisados comparando-se a raça/cor auto referida.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A amostra foi composta por 54% de mulheres; 84,7% residentes em área urbana; 32,9% com 4 ou menos anos de escolaridade e 42,7% se identificou como branca, 44,67 parda, 9,7 preta, 1,1 orientais e 1,9 indígenas. O número médio de consultas realizadas no último ano foi de 3,7; 13,4% não realizou nenhuma consulta médica no período, tendo sido a proporção maior entre pardos (17,9%) e orientais (17,4%); 42,7% dos entrevistados não realizaram nenhuma visita ao dentista no ano, 46,2% entre pardos, 47% entre pretos e 52,9 em orientais. Ainda no ano anterior, 22,9% procurou serviço de urgência (12,2% dos orientais) e 10,3% foram hospitalizados (13,9% dos orientais). Sobre procura aos serviços de saúde nas duas semanas que antecederam a entrevista, 22,3% procuraram e 89,6% foram atendidos da primeira vez que procuraram; 51% recorreu a uma Unidade Básica de Saúde e 85,8% conseguiram atendimento. Nesse quesito, tiveram mais acesso os brancos (89,6) e indígenas (97,5%). Sobre medicamentos, 70,3% fazem uso de forma contínua (77,97 dos orientais e 66,3 dos indígenas); enquanto 36,7% teve problemas para consegui-los (39,6% dos pretos e 49,5% dos indígenas).
Em relação às variáveis de qualidade dos serviços de saúde, 64,8% relatam estarem vinculados a um profissional de referência (55,8% dos orientais e 54,2% dos indígenas) e 97% recomendaria os profissionais dos quais receberam atendimento. A probabilidade de ter recebido orientações sobre alimentação (51,7%), álcool (37,8) e tabagismo (41,4) não variou entre as raças, mas sim sobre atividade física (55,9%), menor entre orientais (47,4%), pardos (53,6,4) e pretos (54,1%).
Sobre o uso de serviços preventivos, 70,5% realizou papanicolau nos últimos 3 anos; 92% teve a pressão arterial aferida e 54,1% tomaram vacina contra gripe no último ano; sem diferenças nas diversas raças. Foram encontradas diferenças em relação ao exame das mamas no último ano (37,4%), realizados acima da média apenas nas mulheres brancas; mamografia nos últimos 3 anos (65,6%), menos realizadas em pretas (64%), pardas (62,2%) e indígenas (55,9%); medida de glicose no último ano (69,5%), menos frequentes em orientais (63,6%), pretos (65,7%) e pardos (66,5%) e por fim, a medida de colesterol no último ano (86,9%) que foi menor entre pardos (84,8%) e pretos (85,5%).
CONCLUSÕES/CONSIDERAÇÕES FINAIS
As razões para as disparidades nas condições de saúde são complexas e de difícil compreensão, mas podem refletir, além das diferenças socioeconômicas, as consequências da discriminação. Outros estudos revelam que a qualidade dos serviços parece ser mais baixa na experiência de minorias raciais e étnicas, que são menos propensas a receber procedimentos de rotina e medicações, mesmo quando afiliação, renda e comorbidades são controladas.
Os riscos individuais atribuídos à raça/cor/etnia podem estar confundidos pela representação desproporcional das minorias nas camadas de condição sócio econômicas inferiores. Posições complexas na estrutura social, especificamente aquelas marcadas simultaneamente por sexo/gênero, cor/raça e condição socioeconômica precisam ser melhor aferidas. Apesar disso, o problemas das disparidades raciais no uso de serviços de saúde se apresenta como dilema para uma sociedade que pretende enfrentar a discriminação racial e o racismo estrutural.
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