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Grupos Temáticos

28/09/2019 - 13:30 - 15:00
EO-27D - GT 27 - Protagonismo de usuários e familiares na rede de saúde mental

30217 - TECENDO REDES E A SAÚDE MENTAL NO NASF: COMPARTILHAMENTOS E COSTURAS PARA CONSTRUÇÃO DE PROTAGONISMOS DOS USUÁRIOS AOS CUIDADOS DA PSIQUIATRIA DE BASE TERRITORIAL
CARLA PINHEIRO MACIEL - HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS / PREFEITURA DO RECIFE


Contextualização
Em tempos de mudanças, o atual Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF) vai se reinventando entre resistências possíveis.
Minha experiência se inicia em agosto de 2017, em uma equipe recém formada de NASF. Havia instabilidade na política nacional, entretanto, a realidade local era fértil.
Recém chegada, fui nutrida pela riqueza de participar da oficina de planejamento do processo de trabalho entre as cinco equipes NASF do município – profissionais de categorias diversas construindo o campo de atuação com seus saberes nucleares e práticas anteriores, pensando a saúde e a clínica ampliada para o território. E assim continuei por um ano e cinco meses, construindo redes e resistindo.
Descrição
O trabalho da psiquiatria no NASF apresenta desafios diários. O maior deles, para mim, vem da cultura sobre cuidado em saúde mental, marcada pela herança do manicômio, que convoca a uma atuação a partir desse olhar. Sair do lugar profissional apenas no consultório medicando / medicalizando a vida e incorporar novos olhares sobre cuidados e protagonismos em espaços diversos de atuação era a primeira porta a ser aberta. O convite ao saber-fazer junto em saúde mental assustava alguns profissionais, uns por medo, insegurança, outros por entenderem que aquele não era o seu papel ou por acreditarem que o NASF trazia muito trabalho para a equipe que já tinha suas demandas.
Buscar a direção do trabalho na rede de atenção psicossocial (RAPS), na qual as demandas dos territórios seriam compartilhadas pelas equipes de ESF e NASF, foi a bússola que guiou o nosso caminho. As ferramentas utilizadas foram: encontros mensais dos profissionais da equipe Nasf para alinhar a compreensão do papel a ser desempenhado, avaliar o processo de trabalho e debater conceitos teóricos relevantes nas práticas; potencializar o espaço da reunião de discussão de caso com um momento para educação permanente alternado a proposição de temas entre os profissionais da ESF e do NASF; atendimentos compartilhados na unidade e domiciliares com médicos e enfermeiros da ESF; eleger situações de difícil manejo para construção conjunta de projeto terapêutico singular (PTS); organizar grupos em saúde mental e em promoção de saúde nos serviços e nos espaços do território; promover e participar de fóruns intersetoriais, com destaque para o Fórum de Saúde Mental e interagir com as outras equipes NASF do munícipio para pensar o trabalho da RAPS de modo inventivo e factível para nossa realidade, estimulando o protagonismo dos usuários.
Período de realização
De agosto de 2017 a dezembro de 2018, fiz parte da composição do NASF de Camaragibe. Éramos cinco equipes, duas com psiquiatra, atuando na lógica multidisciplinar de trabalho no território. Em janeiro de 2019, eu e o outro psiquiatra fomos demitidos. Em fevereiro do 2019, todas as equipes foram desligadas de seus contratos e foi anunciado o encerramento das atividades do NASF no município.
Objetivo
Consolidar o trabalho da psiquiatria de base territorial, fomentando o protagonismo e o fortalecimento da autonomia dos usuários e promover matriciamento dos profissionais de saúde da família em um modelo de saúde mental aproximado ao proposto por Thornicroft (2010).
Resultados
Fortalecimento da equipe NASF em temas de saúde mental e nas práticas relacionadas.
Atendimentos compartilhados, matriciando e estimulando os profissionais da ESF para seguimento dos cuidados em saúde mental.
Discussões de casos com construção de PTS e sua execução, transformadores na atuação profissional e nas mudanças da saúde e na vida dos usuários.
Ocupação de espaços públicos antes esquecidos pela comunidade e pelos gestores, em grupo de promoção de saúde na parceria entre NASF, ESF de referência do território, residentes de saúde mental e comunidade local.
Potencialização do Fórum de Saúde Mental como espaço de articulação da RAPS, intersetorialidade e formação continuada.
Aprendizados
As primeiras experiências de saúde mental no território em Camaragibe são anteriores à política do NASF no Brasil (CASÉ, 2007). Propor um trabalho na ESF com uma população marcada por vivências pioneiras nessa área foi muito gratificante pelo compartilhamento de saberes empíricos e técnicos e das práticas cotidianas em saúde mental.

Análise crítica
Trabalhar possibilidades de práticas não preconizadas pelos gestores torna-se um desafio por vezes cansativo. Enquanto o trabalho fluiu com respeito e apoio da gestão, as atividades eram produtivas e o empenho das equipes inspiravam a participação dos usuários. Porém, as intempéries na política municipal tolheram nosso entusiasmo. Fomos silenciados de nossas potências, mas plantamos as nossas sementes. Não há silenciamento capaz de nos mortificar. Apesar da precarização de vínculos que atravessa nossa prática profissional e leva ao desgaste do desejo pelas incertezas, precisamos seguir ocupando outros espaços e produzindo caminhos de protagonismo para os usuários da saúde mental.

local do evento

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Campus Central

A Universidade Federal da Paraíba é reconhecida pela sua excelência no ensino e em pesquisas tecnológicas e, atualmente, encontra-se entre as melhores Universidades da América Latina.

Campus I - Lot. Cidade Universitaria, João Pessoa - PB, 58051-900