27/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO32d - Juventude e vulnerabilidades |
23368 - ABORDAGEM POLICIAL E RACISMO: SER JOVEM NEGRO EM CONDIÇÕES DE VULNERABILIDADE DIANA ANUNCIAÇÃO SANTOS - UFRB, LENY ALVES BONFIM TRAD - UFBA, TIAGO FERREIRA DA SILVA - UFBA, JOÃO MIGUEL DIÓGENES DE ARAÚJO LIMA - UFC
Apresentação/Introdução A fragilidade/ausência das redes de proteção sociais intensificam a vulnerabilidade da juventude negra, cujas trajetórias cruzam-se violentamente com a Polícia Militar nas abordagens policiais. Marcadores raciais e econômicos têm papel decisivo, e os indicadores da violência apontam o homicídio como a quarta principal causa de morte dos jovens de 10 a 29 anos e 83% são homens negros (OMS, 2016).
Objetivos A pesquisa objetivou analisar as representações sociais e as experiências dos(as) jovens negros(as) sobre o ser jovem em situação de vulnerabilidade, a violência policial em seu procedimento de abordagem e sua relação com o racismo institucional.
Metodologia Trata-se de pesquisa qualitativa, cujos dados foram produzidos em grupos focais (GF) e entrevistas semiestruturadas, tendo por objeto de análise as narrativas de jovens negros(as) em Salvador, Recife e Fortaleza. No caso dos GFs, considerou-se a participação de oito a quinze jovens, de ambos os sexos, com idades de 15 a 29 anos, autodeclarados negros(as), moradores de bairros periféricos selecionados nas três capitais. Nas entrevistas foi considerado também ter sido alvo de uma abordagem policial violenta. A pesquisa integra o projeto Juventude Negra no Nordeste do Brasil e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.
Resultados Ser jovem negro(a) não se traduziu apenas numa fase geracional, mas em reconhecimento identitário e espacial. Os relatos, nas três capitais, referem-se as experiências em torno do racismo, da violência e das vulnerabilidades, definindo-os como criminosos ou potenciais infratores. Todos os interlocutores já haviam sido abordados, e a maioria passava por esta experiência quase cotidianamente. Para eles, a abordagem é um dispositivo de controle social, confinando-os nos “espaços de suspeição”. Identificaram também a presença do racismo na prática dos policiais – produto da sociedade racista, excludente e discriminatória – mas não houve uma associação direta à instituição.
Conclusões/Considerações A descontinuidade na implementação das políticas públicas, a falta de fiscalização e a fragilidade/ausência das redes de proteção sociais intensificam a vulnerabilidade da juventude negra, alvo das ações mais repressivas dos agentes de segurança pública. Destarte, confirma-se a presença do racismo institucional na corporação da Polícia Militar, traduzindo uma ação discriminatória ampliada, camuflada e socialmente naturalizada.
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