26/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO3c - Exposições químicas, ambiente e saúde 2 |
27096 - POLUIÇÃO DA ÁGUA DE POÇOS ARTESIANOS E DA CHUVA POR AGROTÓXICOS EM MUNICÍPIOS DA BACIA DO RIO JURUENA, MATO GROSSO, BRASIL LUCIMARA BESERRA - ENSP - FIOCRUZ, WANDERLEI ANTONIO PIGNATI - ISC - UFMT, MARTA GISLENE PIGNATTI - ISC - UFMT, LUÃ KRAMER DE OLIVEIRA - ENSP - FIOCRUZ
Apresentação/Introdução Os municípios de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio - Mato Grosso, destacam-se pela alta produção agrícola (soja, milho) e pelo uso constante de agrotóxicos. Os agrotóxicos, ao serem pulverizados, não atingem apenas as “pragas”, atingem o produto agrícola, o solo, o ar, etc., contaminando direta e indiretamente os trabalhadores e a população, ocasionando doenças e agravos à saúde.
Objetivos Analisar a dispersão dos agrotóxicos nos ecossistemas hídrico e atmosférico relacionada às principais culturas agrícolas e a quantidade de agrotóxicos utilizados nos munícipios de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio, Mato Grosso, Brasil.
Metodologia Foram realizadas, entre maio de 2015 e fevereiro de 2016, coletas de água de poços artesianos e chuva em 6 escolas de áreas urbanas e rurais dos municípios em estudo. As coletas foram realizadas de forma participativa com professores e estudantes das escolas. As amostras dos poços foram coletadas no intervalo de 3 meses. As amostras de chuva foram coletadas a cada 3 semanas, utilizando coletores (funil ligado a uma garrafa) instalados nas escolas. Os resíduos de agrotóxicos nas amostras foram analisados e identificados pelo método de extração em fase sólida C-18 e cromatografia CG-EM. A quantidade de agrotóxicos pulverizados na região foi estimada, a partir das culturas e hectares plantados.
Resultados Em 2015, estima-se que foram pulverizados 25 milhões de litros de agrotóxicos nos municípios em estudo. Nas amostras de águas dos poços foram detectados resíduos dos herbicidas atrazina (0,12 µg/L a 0,28 µg/L) e metolacloro (0,34 µg/L a 0,63 µg/L) em quatro poços, dos seis analisados. Nas amostras de chuva, 55% apresentaram resíduos de pelo menos um tipo de agrotóxico. Os agrotóxicos detectados nestas amostras foram metolacloro (maior frequência de detecção – 86%), atrazina, trifluralina, malationa e metribuzim. A quantidade de amostras de chuva com agrotóxicos detectados aumentou nos meses de coleta de maior intensidade de chuvas e maior intensidade de pulverização de agrotóxicos.
Conclusões/Considerações Os resultados evidenciam que os ecossistemas hídrico e atmosférico estão sendo impactados pelo processo de intensa pulverização de agrotóxicos na agricultura adotado na região, que polui águas subterrâneas potáveis e a chuva, tornando-as vias de contaminação para outros ecossistemas, trabalhadores(as) e a população. O cenário encontrado é de extrema relevância para a atenção e atuação da Vigilância em Saúde.
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