27/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO24b - Mãe Beata de Imenja: o cuidar, a atenção a saúde e o enfrentamento as violencias |
24467 - ABORDANDO A QUESTÃO RACIAL ENTRE FAMÍLIAS NEGRAS: EXPERIÊNCIAS DE SOCIALIZAÇÃO E ENFRENTAMENTO AO RACISMO SANDRA ASSIS BRASIL - UNEB E ISC/UFBA, LENY ALVES BOMFIM TRAD - ISC / UFBA
Apresentação/Introdução Transformações socioculturais da sociedade brasileira impactam os modos de ser e resistir das famílias negras. Estudos apontam dificuldades de algumas famílias em oferecer apoio às crianças no enfrentamento às situações de racismo. Compreender a família negra pode fornecer subsídios às políticas de saúde da população negra, ampliando possibilidades de enfrentamento e melhoria da qualidade de vida.
Objetivos O trabalho analisa as características e os processos de socialização de famílias negras de Salvador – Bahia, destacando-se elementos da socialização racial e formas de enfrentamento às situações de discriminação e preconceito.
Metodologia A pesquisa foi realizada entre os anos 2012 e 2014, articulando-se dois contextos: núcleos familiares de classe média identificados segundo método ‘bola de neve’ e imersão em um bairro popular para acesso a famílias de classe baixa. As técnicas utilizadas foram: observação participante, diário de campo, entrevistas semiestruturadas e questionários sociodemográficos. Foram selecionadas nove famílias, caracterizadas segundo aspectos culturais, políticos, econômicos e raciais. Subdividiram-se em: famílias de alto engajamento político-cultural, de baixo engajamento político-cultural e famílias com grau intermediário.
Resultados Observou-se grande heterogeneidade no modo como as famílias lidam com a questão racial. Distintas formas de proteção e enfrentamento foram observadas: alguns pais não sabiam dos episódios de discriminação sofridos por seus filhos; enquanto outras famílias se mobilizaram em atitudes de reparação. Mães pardas se identificaram como negras, em detrimento do “morena” observado em outras pesquisas. As famílias com maior nível político-educacional exerceram formas mais diretas de enfrentamento, porém, os núcleos familiares de baixo engajamento político-cultural não deixaram de reconhecer episódios de discriminação, e, mesmo com poucas ferramentas, agiram no sentido da proteção de suas crianças.
Conclusões/Considerações Movimentos de (re) valorização da estética do negro, possibilidades de denúncias do racismo e a reelaboração dos conteúdos escolares (lei 10.639), impactaram os processos de reconhecimento e enfrentamento das questões raciais pelas famílias do estudo. Observou-se uma passagem de um ‘ideal da igualdade’ para um ‘ideal reivindicatório’ e, nos processos de socialização, busca por diferenciação e valorização das crianças e cuidado com a autoestima.
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