28/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC24b - José Marmo da Silva: o Racismo e o impacto na vida das pessoas |
26610 - SINTOMAS ASMÁTICOS EM CRIANÇAS: O PAPEL DAS EXPERIÊNCIAS DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL DAS MÃES GISEL L. FATTORE - UNIVERSIDAD NACIONAL DE LANÚS, UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, LEILA DAF AMORIM - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, LETICIA MARQUES DOS SANTOS - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, DARCI NEVES DOS SANTOS - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, MAURICIO L BARRETO - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Apresentação/Introdução A carga de asma infantil no Brasil é alta, especialmente em crianças não brancas. Evidências crescentes sugerem que as experiências de racismo podem explicar desigualdades na saúde infantil. Existem poucos estudos fora do contexto de EUA e nenhum deles considera as experiências maternas de discriminação em relação à prevalência de sintomas asmáticos nos filhos.
Objetivos Analisar o efeito da discriminação racial sofrida por mulheres de uma área pobre Salvador sobre a prevalência de sintomas asmáticos dos filhos, e avaliar se a magnitude da associação entre discriminação e asma varia em relação à saúde mental materna.
Metodologia Estudo transversal com 1130 mulheres e crianças de 4 a 11 anos residentes em uma área pobre de Salvador. Aplicou-se o questionário International Study of Asthma and Allergy in Childhood para avaliar sintomas asmáticos, o Experiences of Discrimination para experiências de discriminação e o Self Reporting Questionnaire para saúde mental. Níveis séricos de IgE alérgeno-específica foram dosados para identificar os fenótipos atópico e não atópico. Análise de classes latentes permitiu classificar as mães em perfis de discriminação. A associação entre discriminação e asma foi avaliada mediante regressão logística e politômica, e a modificação de efeito através da inclusão de termos de interação.
Resultados 8,1% das mulheres resultaram expostas a discriminação racial e 23.3 % das crianças apresentaram sintomas asmáticos. As mulheres expostas a discriminação apresentaram filhos com maior prevalência de sintomas asmáticos em relação as não expostas (1.79; 95% CI=1.02-3.16). A discriminação materna teve maior impacto sobre o fenótipo não-atópico, mesmo após o ajuste para variáveis de confusão. A análise de modificação de efeito revelou que mães com sofrimento psíquico foram mais propensas a ter filhos com sintomas asmáticos quando expostas à discriminação (OR 2.38, CI=1.18-4.79) que aquelas sem sintomas psicológicos (OR 0.53; CI=1.14-1.90).
Conclusões/Considerações Consistente com a literatura, nossos resultados sugerem que experiências vicárias de discriminação afetam a saúde infantil. O estudo mostrou que a discriminação nas mães se associa a asma nos filhos, possivelmente a partir de mecanismos vinculados ao estresse psicossocial. Intervenções que visam melhorar sintomas asmáticos precisam incorporar estratégias que tenham como objeto à família e considerem o racismo em todos os níveis da sociedade.
|