27/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO14b - Financeirização, complexo médico-industrial e políticas de saúde |
29018 - TRANSFORMAÇÕES NAS EMPRESAS E GRUPOS ECONÔMICOS DO SETOR SAÚDE COMO EXPRESSÃO DA FINANCEIRIZAÇÃO (2008-2016) LEONARDO VIDAL MATTOS - GPDES / IESC / UFRJ, DIEGO VIEGAS BARBOSA - GPDES / IESC / UFRJ, ELZA MARIA CRISTINA LAURENTINO DE CARVALHO - GPDES / IESC / UFRJ, PAULO CESAR MOREIRA CAMPOS - GPDES / IESC / UFRJ, LIGIA BAHIA - GPDES / IESC / UFRJ
Apresentação/Introdução A financeirização pode ser entendida como padrão sistêmico contemporâneo de definição, gestão e realização da riqueza, sendo as empresas partes ativas do processo. Uma das expressões do fenômeno consiste na inclusão de atividades financeiras na função objetivo de empresas, que implica em mudanças de forma, conteúdo e estratégias de valorização. Os impactos deste novo padrão nos sistemas de saúde são pouco conhecidos.
Objetivos Analisar o processo de financeirização em empresas do setor saúde no Brasil a partir das principais alterações e movimentações societárias e proprietárias ocorridas entre 2008 e 2016.
Metodologia Foram incluídas 40 empresas e grupos econômicos do setor saúde entre os 69 selecionados no projeto “Complexo Econômico Industrial da Saúde (CEIS) e dinâmica capitalista: desafios estruturais para a construção do sistema universal no Brasil” . Foram contemplados os subsetores de planos e seguros de saúde, farmácias e drogarias, hospitais privados, medicina diagnóstica, indústria farmacêutica. Foram utilizadas quatro fontes de dados: juntas comerciais, site das empresas, demonstrativos financeiros e relatórios anuais, e veículos de imprensa selecionados. Os dados foram coletados para o período de 2008 a 2016 e organizados em banco de dados do projeto.
Resultados Observou-se uma série de transformações nas empresas, ainda que de modo heterogêneo entre elas e desigual entre os subsetores: valorização associada a fusões e aquisições; capitalização a partir de venda de participação acionária para investidores nacionais e estrangeiros, emissão de debêntures e empréstimos públicos e privados; diversificação de atividades; verticalização. Este padrão não anula estratégias de concorrência anteriores, como ganhos de escala, redução de custos, restrições de cobertura, marketing, etc: as intensifica e pontecializa. Identificou-se a formação de grandes grupos econômicos de capital aberto como líderes de mercado nos subsetores estudados.
Conclusões/Considerações Os resultados indicam uma mudança qualitativa no padrão setorial de acumulação e uma reconfiguração do CEIS, na medida em que a concorrência entre as maiores empresas é cada vez mais determinada pela dinâmica financeira de valorização e por seus desdobramentos. As raízes gerais e específicas e as consequências políticas, econômicas e assistenciais deste processo devem ser investigados.
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