29/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC1i - Estudos sobre ocorrência de câncer |
24283 - DISPARIDADE RACIAL NA SOBREVIVÊNCIA EM 10 ANOS PARA CÂNCER DE MAMA MEDIADA POR ESTADIAMENTO MÁRIO CÍRIO NOGUEIRA - UFJF, MAXIMILIANO RIBEIRO GUERRA - UFJF, JANE ROCHA DUARTE CINTRA - UNIPAC, CAMILA SOARES LIMA CORRÊA - UFJF, VÍVIAN ASSIS FAYER - UFJF, MARIA TERESA BUSTAMANTE-TEIXEIRA - UFJF
Apresentação/Introdução O câncer de mama (CM) é a neoplasia responsável pela maior mortalidade de mulheres no mundo. Nos EUA, as disparidades raciais no prognóstico do CM estão melhor estabelecidas do que no Brasil, onde os resultados dos poucos estudos publicados divergem. Não se tem conhecimento de estudos brasileiros que estimassem efeitos de determinantes sociais do prognóstico no CM usando modelos contrafactuais.
Objetivos Estudar os determinantes sociais na sobrevivência de mulheres com CM, especificamente a disparidade racial no prognóstico da doença e o papel do estadiamento como fator mediador.
Metodologia A população de estudo consistiu de uma coorte de 481 mulheres com câncer invasivo de mama diagnosticadas entre 2003 e 2005. Foi estudada a raça/cor como principal exposição de interesse, o estadiamento do tumor ao diagnóstico como mediador e a sobrevivência específica em 10 anos como desfecho. Foram estimados efeitos diretos e indiretos para a variável raça/cor usando regressão múltipla de Cox, ajustados por idade e condição social da área de residência, seguindo modelo de inferência contrafactual. A condição social da área de residência foi obtida pelo georreferenciamento do endereço das pacientes para o setor censitário, permitindo o uso de variáveis do Censo Demográfico de 2010.
Resultados Das 481 mulheres estudadas 371 (77,1%) relataram raça/cor branca. Estas eram residentes em áreas com melhor condição socioeconômica, usaram serviços privados em maior proporção e foram diagnosticadas em estadiamentos mais precoces, comparadas com as não brancas. A sobrevivência específica em 10 anos foi de 69,5% (IC95%: 64,8%-74,6%) para as mulheres brancas e de 44,0% (IC95%: 32,5%-55,1%) para as não brancas. Após ajuste para idade e condição social da área de residência, as mulheres não brancas tiveram o dobro do risco de óbito por câncer de mama em relação às brancas (HR=2,08; IC95%: 1,48-2,91). As diferenças no estadiamento mediaram 44% (IC95%: 42%-44%) da disparidade racial.
Conclusões/Considerações Existe uma disparidade racial significativa no prognóstico de mulheres com câncer de mama. Uma das razões principais para esta disparidade é o estadiamento em que estas mulheres são diagnosticadas com a doença, de forma mais precoce para as brancas. As políticas públicas devem direcionar esforços para ampliar o acesso às ações de prevenção e controle do câncer de mama visando reduzir esta iniquidade racial em seu prognóstico.
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