26/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO6a - Saúde nas mídias (pesquisas) |
28703 - PUBLICIZAÇÃO DA INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA: UMA SOLUÇÃO PARA O CRACK? WILSON COUTO BORGES - FIOCRUZ, VÂNIA COUTINHO QUINTANILHA BORGES - FIOCRUZ / UFF
Apresentação/Introdução Partimos da premissa de que a imprensa interfere decisivamente na forma como atores sociais empregam sentido ao mundo, especialmente pelo modo como as questões de saúde são publicizadas e midiatizadas. No caso particular do crack, interessa-nos observar como é construída discursivamente a perspectiva de que a Internação Compulsória é a melhor alternativa para “solução do conflito”.
Objetivos Investigar como as questões de publicização e de midiatização da saúde geram impactos sociais, compreender o processo de produção de sentidos em torno das drogas e contribuir para equidade no tratamento de usuários e dependentes.
Metodologia Utilizamos como referencial metodológico a Semiologia dos Discursos Sociais, buscando identificar as marcas deixadas pelos discursos jornalísticos. Neste trabalho, especificamente em O Globo. Com relação à publicização, a partir de Oliveira (2010), torna-se possível capturar como os sentidos se revelam um potente fator na construção dos imaginários sociais. Com Althusser (1996), verificando as formas como a opinião pública é interpelada na direção da legitimação da Internação Compulsória. Tal movimento encontra em Romeyer (2013), com a proposta da publicização de temas da saúde, uma das maneiras pelas quais os sentidos entram em disputa no campo social da mídia.
Resultados A noção de publicização foi fundamental para que compartilhássemos da perspectiva de que fatores positivos e negativos aparecem na maneira como os veículos de comunicação fazem chegar a temática à sociedade. Ao tomarmos o crack e a internação compulsória como objeto de estudo, pudemos perceber o quanto os interesses podem estar manifestos na forma como cada tema é apresentado. Porém, não há como controlar os desdobramentos e os efeitos que tal publicização assume, especialmente porque ela está imerso numa disputa maior, que é de longuíssima duração, num diálogo com aquilo que em grande parte já está assentado no imaginário coletivo sobre a periculosidade da droga e do drogado.
Conclusões/Considerações A publicização de um discurso jornalístico sobre crack pelo prisma da violência e da criminalidade tem orientado o debate público sobre a questão, que deveria ser predominantemente de saúde, para que a discussão avance não tanto como relevante questão de saúde, mas interpelando atores sociais na direção de buscar mais punição para os dependentes, atualizando e justificando a conhecida forma de tratar os desviantes: o encarceramento.
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