28/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC6c - Visibilidades: a saúde em diferentes mídias (pesquisas) |
27577 - #ACULPANÃOÉDOMACACO: ATORES, VOZES E SENTIDOS DA CAMPANHA EM DEFESA DOS MACACOS NO FACEBOOK, NO CONTEXTO DA FEBRE AMARELA EM 2018. JOÃO VERANI PROTASIO - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ)/UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF), ROSEANNE ROCHA MIRANDA - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ), MONIQUE SANTOS RIBEIRO - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ)/UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF), INESITA SOARES DE ARAÚJO - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ)
Apresentação/Introdução Um dos temas que chamou atenção tanto no campo da saúde quanto nos meios de comunicação no início de 2018 foi a febre amarela. A doença, que tem como transmissores mosquitos silvestres, atinge primeiro os macacos, muitas vezes de forma letal. Além das mortes pela doença, foram encontradas centenas de macacos vítimas de maus-tratos, o que gerou uma campanha nas redes sociais em defesa dos primatas.
Objetivos Este trabalho integra uma pesquisa mais ampla sobre a dimensão comunicacional da febre amarela e objetivou circunscrever atores, vozes e sentidos possíveis nos textos da campanha de combate a violência contra os macacos.
Metodologia A pesquisa situa-se no Observatório Saúde nas Mídias, que monitora, analisa e circula pesquisas sobre sentidos da saúde nas diversas mídias. Partimos do pressuposto que todo discurso é uma prática social, sendo a palavra arena de embates ideológicos e de visões de mundo e que pela comunicação se disputa a construção da realidade, através dos modos de falar, argumentar e produzir evidências de verdade. Buscando-se uma aproximação à questão da adequação do aparato comunicacional às necessidades de informação da população, foram monitoradas as publicações na rede social Facebook da campanha #ACulpaNãoÉDoMacaco, tendo a própria hashtag como ferramenta de busca, durante o mês de janeiro de 2018.
Resultados A campanha começa ainda em 2017, mas toma proporções maiores em 2018, gerando eco em variadas instituições governamentais, figuras públicas e organizações em defesa dos animais e do meio ambiente, além da população em geral. Foram identificados quatro enfoques discursivos nas postagens: penal, epidemiológico, ambientalista e moral. Entre os recursos argumentativos, os mais comuns foram o humor, o risco e o apelo à sensibilidade. Já na análise sobre as razões do ato de violência, foram denunciadas a desinformação e a ignorância. As duas primeiras categorias tinham variações de acordo com os atores, mas a terceira foi comum, além de não haver discurso antagônico.
Conclusões/Considerações A pluralidade de discursos concorrentes constroem sentidos múltiplos e demonstra o engajamento da sociedade no tema, favorecido pelas redes sociais. Constata-se que o Facebook foi espaço da defesa dos macacos, nada havendo que sugerisse o contrário. Os discursos antagônicos, neste caso, circulam por outras vias, o que é uma indicação para os responsáveis pela comunicação no campo da saúde.
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