27/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO26b - Nutrição e Alimentação dos povos indígenas |
26374 - DESNUTRIÇÃO E ALEITAMENTO MATERNO EM CRIANÇAS INDÍGENAS MENORES DE 2 ANOS NO ALTO SOLIMÕES (AMAZONAS) FRANCINARA GUIMARÃES MEDEIROS - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA, FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, ANTÔNIO ALCIRLEY DA SILVA BALIEIRO - INSTITUTO LEÔNIDAS & MARIA DEANE, FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, MANAUS, AM, BRASIL., ALINE ALVES FERREIRA - INSTITUTO DE NUTRIÇÃO JOSUÉ DE CASTRO, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL., CARLOS E. A. COIMBRA JR. - INSTITUTO DE NUTRIÇÃO JOSUÉ DE CASTRO, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL., EVELYNE MARIE THERESE MAINBOURG - INSTITUTO DE NUTRIÇÃO JOSUÉ DE CASTRO, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL.
Apresentação/Introdução O aleitamento materno constitui uma das mais eficazes estratégias de redução da morbimortalidade infantil (recomendação da Organização Mundial de Saúde). Porém, pouco se conhece a respeito da duração do aleitamento materno em populações indígenas e das práticas de desmame. Por outro lado, inquéritos recentes realizados na Amazônia destacam a continuidade da desnutrição infantil.
Objetivos Caracterizar o perfil nutricional e de aleitamento materno das crianças indígenas < 2 anos acompanhadas pelo SISVAN-I (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional Indígena na região do Alto Rio Solimões).
Metodologia Utilizou-se dados do SISVAN-I em 2013, da área do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões, situadas em 7 municípios com Tikuna, Kokama, Kaixana, Kanamari, Kambeba, Maku-Yuhup e Witoto, distribuídos em 188 aldeias. Foram aferidas medidas de peso e estatura/comprimento de 3.397 crianças <2 anos e construídos os índices antropométricos de estatura-para-idade (E/I) e peso-para-idade (P/I), utilizando-se pontos de cortes preconizados pela OMS. Foi aplicada perguntas adaptadas do SISVAN e IBFAN Brasil sobre aleitamento materno. Calculou-se o teste qui-quadrado (IC=95%). O trabalho teve parecer da CONEP (nº 672.155).
Resultados As prevalências de baixa E/I foram de 42,8%, sendo significativamente mais frequente no sexo masculino e nos >12 meses (p<0,001). A frequência de baixo P/I foi 10,2%, também sendo mais frequente entre os meninos (p<0,001), mas sem distinção entre os grupos de idade. Em 81,9% das crianças < 6 meses, havia aleitamento materno exclusivo e apenas 12,0% não receberam leite materno até os dois anos de vida. Esse fato não divergiu significativamente em relação ao sexo.
Conclusões/Considerações Os dados revelam desigualdades em saúde marcantes em relação à população não indígena, que condizem com o que tem sido observado em outras comunidades indígenas, a ocorrência de elevada prevalência de aleitamento materno coexistindo com altas frequências de desnutrição. É necessário que haja planejamento e articulação de ações que visem à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno nessa população.
|