27/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC26a - Análises da situação de saúde dos povos indígenas |
24024 - CARACTERÍSTICAS MATERNAS E PESO AO NASCER DE CRIANÇAS INDÍGENAS TERENA RESIDENTES EM ALDEIAS URBANAS DE CAMPO GRANDE, MS DEISE BRESAN - UFMS, GIOVANA EMILIA TEDESCO DE OLIVEIRA - UFMS, TASSIA VIEIRA ÁVALOS - UFMS, MAURÍCIO SOARES LEITE - UFSC, ELENIR ROSE JARDIM CURY PONTES - UFMS
Apresentação/Introdução O Mato Grosso do Sul é o estado brasileiro que apresenta a segunda maior população indígena do país e Campo Grande está entre as dez capitais com maior número de indígenas vivendo na área urbana. No entanto, se são exíguos os estudos sobre a saúde materno-infantil desses povos no Brasil, menos ainda se sabe sobre esse importante contingente que vive nas áreas urbanas.
Objetivos Descrever as características maternas e peso ao nascer de crianças indígenas Terena, residentes em quatro Aldeias Urbanas (Água Bonita, Darcy Ribeiro, Marçal de Souza e Tarsila do Amaral) de Campo Grande, Mato Grosso do Sul (MS).
Metodologia Trata-se de um estudo transversal, realizado em quatro Aldeias Urbanas de Campo Grande, MS, com todas as crianças Terena nascidas vivas de julho de 2017 a janeiro de 2018. As Aldeias abrigam, ao todo, cerca de 1800 indígenas. A partir de entrevista face-a-face e de dados registrados na Caderneta da Gestante e da Criança, foram coletadas informações sobre idade e escolaridade materna, consultas de pré-natal, Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional, níveis de hemoglobina na gestação, tipo de parto, sexo e peso ao nascer (PN). As análises estatísticas foram realizadas no STATA 11.0.
Resultados Foram coletadas informações de 28 mães/crianças (todos os nascimentos de julho/2017 a janeiro/2018). A média de idade materna foi 23,5±6,1 anos e 53,6% estudaram por 9 a 11 anos (as demais de 4 a 8 anos). 60,7% das mulheres realizaram menos de 6 consultas de pré-natal. A frequência de excesso de peso pré-gestacional foi 52,0%, sendo que 28,0% estavam obesas. 23,8% das gestantes apresentaram níveis de hemoglobina inferiores a 11g/dl e somente 64,3% das Cadernetas apresentaram registro de prescrição de sulfato ferroso. Metade das crianças eram meninas, 92,9% dos partos foram hospitalares e 42,9% foram cesáreas. 7,1% das crianças apresentaram peso <2,500Kg ao nascer e 10,7% ≥4,000Kg.
Conclusões/Considerações Os dados expõem um cenário complexo e alarmante em termos de saúde materno-infantil. Chamam a atenção o excesso de peso e a anemia materna, o insuficiente número de consultas pré-natais e a elevada proporção de cesáreas. Os resultados indicam uma assistência precária à saúde, mesmo entre uma população reconhecidamente vulnerável e que reside em área urbana, sustentando o cenário de desigualdade em saúde enfrentado pelos povos indígenas no Brasil.
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