27/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO13u - Diálogos sobre Educação e Formação em Saúde 21 |
23700 - A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS: A POTÊNCIA DAS NARRATIVAS ORAIS NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE TRABALHADORES NO CONTEXTO DA ATENÇÃO À PRIMEIRA INFÂNCIA ALÍSSIA GRESSLER DORNELLES - UFRGS, ANDREA GABRIELA FERRARI - UFRGS
Apresentação/Introdução A efetivação das políticas públicas depende dos atores que compõem as práticas de cuidado no território. Assim, torna-se fundamental refletir sobre o processo de formação dos profissionais que se dedicam à construção do trabalho vivo no cotidiano, especialmente na atenção à primeira infância, onde o cuidado destina-se a sujeitos que se encontram em um tempo primordial de seu desenvolvimento.
Objetivos Investigar os efeitos de um processo de formação, realizado com uma equipe de cinco visitadores do Programa Primeira Infância Melhor (PIM), política pública estadual do Rio Grande do Sul, que atende famílias com crianças até seis anos.
Metodologia Foi realizado um estudo qualitativo sustentado nas bases teórico-metodológicas da psicanálise em articulação com os operadores do campo da saúde coletiva, os quais serviram de arcabouço para análise dos dados resultantes da experiência de formação. O principal material de análise constituiu-se das narrativas orais produzidas pelos visitadores nos encontros de formação. O processo de formação ocorreu entre 2016 e 2017, teve duração de sete meses e foi composto por: entrevista inicial individual com cada visitador, seis encontros de formação em grupo, visitas domiciliares às famílias atendidas pelo programa realizadas em conjunto com o visitador e entrevista final com os participantes.
Resultados A análise do processo de formação revelou impasses decorrentes da tentativa de efetivar as diretrizes da política pública na prática de atendimento no território. Verificou-se a dificuldade dos visitadores em aplicar uma metodologia de atendimento padronizada para todos os casos, dada a pluralidade de configurações familiares e culturais, bem como a singularidade de cada sujeito e do próprio profissional. A produção de narrativas orais e a narração de histórias nos encontros de formação evidenciaram a potência do dispositivo de fala e de escuta como artifício formativo para estes trabalhadores, contribuindo para a singularização do cuidado no atendimento territorial das famílias e crianças.
Conclusões/Considerações Os processos de formação para trabalhadores de saúde precisam estar articulados aos impasses vivenciados no cotidiano de trabalho, levando em consideração a especificidade do público atendido e do território, bem como a subjetividade dos sujeitos e dos profissionais envolvidos na produção do cuidado. Torna-se imprescindível criar espaços de escuta aos trabalhadores para o compartilhamento de saberes e a construção de sentidos ao seu fazer.
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