28/07/2018 - 14:30 - 16:00 CO27h - Adolescendo com desafios na e para saúde |
21967 - ANOREXIA NERVOSA COMO DOENÇA CRÔNICA NA ADOLESCÊNCIA PRISCILA DA SILVA CASTRO - UNIFESSPA, ELAINE REIS BRANDÃO - UFRJ
Apresentação/Introdução Transtornos Alimentares são doenças psiquiátricas crônicas mais comuns em adolescentes e jovens mulheres. Dentre eles, a anorexia nervosa implica na recusa em manter o peso adequado à estatura, distorção da imagem corporal e negação da patologia. Estudos com adolescentes atribuem o adoecimento às características da idade, como a importância conferida à opinião dos pares e necessidade de aceitação.
Objetivos O estudo objetivou conhecer, do ponto de vista socioantropológico, a dinâmica de um serviço público de saúde especializado em transtornos alimentares e o processo de adoecimento de adolescentes que enfrentam publicamente a anorexia nervosa.
Metodologia Por meio do método etnográfico buscou-se conhecer um Programa de Transtornos Alimentares, que conta com equipe multidisciplinar e atende adolescentes com anorexia nervosa e/ou bulimia nervosa no Rio de Janeiro. O cotidiano do serviço foi registrado em diário de campo e, posteriormente, 11 adolescentes entre 12 e 18 anos foram entrevistados, sendo um do sexo masculino. O Comitê de Ética em Pesquisa aprovou a supressão do Termo dos responsáveis, num contexto em que o poder decisório estava reduzido pela presença da doença sendo a autorização obtida diretamente com as adolescentes, dimensão que se revelou crucial para a aproximação, interação e imersão no universo social destas usuárias.
Resultados As adolescentes sentiam-se em uma “montanha-russa” definindo seu corpo e peso após a Anorexia Nervosa como um “io-io”, remetendo às recaídas entre engordar e emagrecer, que embora fossem frequentes, esperadas e integrassem o cotidiano de atendimentos, são de difícil compreensão pela equipe, incumbida de tornar a recuperação possível. Foram comuns os relatos de perda de ano letivo, mudança de escola e afastamento de atividades cotidianas em razão do adoecimento, sendo o isolamento social um dos principais medos que as acompanham. Em um período em que deveriam ganhar mais autonomia tornam-se ainda mais dependentes, desencadeando conflitos familiares que não possuíam solução de curto prazo.
Conclusões/Considerações A doença crônica exigiu a reorganização da vida da adolescente, de seu ciclo familiar e das atividades da equipe de saúde. Apesar do programa ser voltado para adolescentes, a assistência à saúde não se moldava as suas necessidades. Trata-se de pensar em contemplar atividades de sociabilidade, desejada por familiares e adolescentes, compreendendo que o papel da equipe de saúde era delicado, cabendo cuidar daquelas que não se reconheciam doentes.
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