Comunicações Orais Curtas

28/07/2018 - 08:00 - 09:50
COC16e - LGBT II

23220 - BARREIRAS NO ACESSO AO MERCADO DE TRABALHO FORMAL PARA PESSOAS TRANSEXUAIS
MARIA APARECIDA DA SILVA - CENTRO DE REFERENCIA E TREINAMENTO EM DST-HIV/AIDS DO PROGRAMA ESTADUAL DE DST-HIV/AIDS DO ESTADO DE SÃO PAULO, CARLA GIANNA LUPPI - CENTRO DE REFERENCIA E TREINAMENTO EM DST-HIV/AIDS DO PROGRAMA ESTADUAL DE DST-HIV/AIDS DO ESTADO DE SÃO PAULO, MARIA AMELIA DE SOUSA MASCENA VERAS - FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO


Apresentação/Introdução
O trabalho é reconhecido universalmente como um direito humano fundamental. Apesar disso, a população de travestis e pessoas transexuais enfrentam diversas barreiras na sua inserção no mercado de trabalho em função do estigma e discriminação relativos à sua identidade de gênero.


Objetivos
Analisar a inserção no mercado de trabalho de uma população de transexuais e travestis, e identificar fatores associados a estar no mercado formal, dentre as pessoas que informaram estar ocupadas.


Metodologia
Estudo transversal, através de amostra não probabilística, consecutiva, associada com snow-ball, de tamanho igual a 700. Participantes identificados entre usuários de serviços de saúde e assistência social, em sete municípios do estado de São Paulo, entre os anos 2014 e 2015. Foi aplicado questionário estruturado, por meio de um tablet por um entrevistador treinado. Levantaram-se informações: sociodemográficas, percurso profissional, saúde, violação de direitos humanos e discriminação, contexto social e transição. Na análise são apresentadas frequências, e para os fatores associados foram empregados o teste do Qui-quadrado de Pearson e regressão logística para estimar o OR bruto e ajustado.


Resultados
Para esta análise foram consideradas 643 pessoas com informações válidas para as variáveis de interesse. Deste total 82,1% se encontravam ocupadas, 13,2% não ocupadas e 4,7% fora do mercado de trabalho. Entre as pessoas ocupadas apenas 16,7% encontravam-se no mercado formal; trabalhadores formais apresentaram maior frequência de renda entre 1 e 2 salários mínimos; Entre os trabalhadores informais: 50% atuavam como trabalhadores do sexo; 78% não dispunham de contribuição previdenciária. No modelo múltiplo, ter 12 anos ou mais de estudo (ORaj=8,23; ICaj 95% 2,99 - 22,61), e estar em acompanhamento para o processo transexualizador foram fatores associados a estar no mercado formal de trabalho.


Conclusões/Considerações
O percentual de pessoas com acesso ao mercado formal de trabalho é muito mais baixo do que o encontrado na população geral, evidenciando desigualdades no acesso, que podem evidenciar inequidades que atravessam a vida das pessoas trans decorrentes do estigma e discriminação. A escolaridade e acesso ao processo transexualizador podem ser fatores importantes na colocação no mercado de trabalho formal.

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