29/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC16g - Cuidado |
25781 - TRAJETÓRIAS NA ASSISTÊNCIA DE MULHERES COM CÂNCER DE COLO DE ÚTERO EM TRATAMENTO EM UMA UNIDADE DE REFERÊNCIA NA ATENÇÃO ONCOLÓGICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO PRISCILA GUEDES DE CARVALHO - INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, GISELE O’DWYER - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA, NÁDIA CRISTINA PINHEIRO RODRIGUES - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA
Apresentação/Introdução O câncer do colo uterino é considerado uma questão de saúde pública no Brasil por sua elevada magnitude e possibilidade de controle mediante ações para prevenção e detecção precoce. Afeta principalmente mulheres de menor nível socioeconômico, com dificuldades de acesso aos serviços, além de refletir iniquidade em saúde uma vez que configuram representações de morbimortalidade evitáveis e injustas.
Objetivos Verificar se os tratamentos para o câncer de colo uterino em uma unidade do SUS ocorreram em tempo oportuno, caracterizar as trajetórias das mulheres na assistência e identificar os possíveis motivos que interferiram na detecção precoce.
Metodologia O estudo tem caráter quali-quantitativo e foi desenvolvido em duas fases. A primeira teve como propósito avaliar, através da revisão de 174 prontuários médicos e a partir da data da confirmação do diagnóstico de câncer de colo uterino, se a primeira intervenção terapêutica ocorreu em tempo oportuno, com base no prazo de 60 dias fixado pela Lei 12732/2012. Os dados foram coletados dos prontuários de mulheres diagnosticadas em 2014 na unidade de referência que informaram residência no município do Rio de Janeiro. A segunda fase foi a caracterização e análise do percurso na assistência de 05 mulheres em tratamento. Foram realizadas entrevistas com a aplicação de questionário semiestruturado.
Resultados Foi observado que 88% dos tratamentos iniciaram após o prazo de 60 dias e que 65,5% das mulheres foram diagnosticadas com doença avançada. A média calculada para início de tratamento foi de 115,4 dias. A análise das trajetórias cumpriu a proposta de dar voz às mulheres afetadas pela doença, possibilitando a identificação das questões que influenciaram os caminhos percorridos. Os principais problemas apreendidos na análise foram os relacionados à disponibilidade dos serviços e à integração das ações nos níveis de atenção, associada à falta de informação sobre a doença e o objetivo do rastreamento, além dos fatores subjetivos como medo e constrangimento em relação ao exame.
Conclusões/Considerações Os achados sugerem uma contradição entre as estratégias de rastreamento e controle da doença preconizadas pelo MS e a forma de organização dos serviços responsáveis por essas ações. A análise realizada a partir da verificação do prazo de 60 dias revela que são necessárias melhorias na articulação dos serviços de saúde em seus diferentes níveis de complexidade, para garantir que todas as mulheres tenham acesso ao tratamento em tempo oportuno.
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