29/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC16i - Gênero e Aids |
24470 - UM REMÉDIO POR DIA E A “NOVA” FORMA DE PREVENIR A AIDS: A PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO AO HIV (PREP) EM CONTEXTO DE BIOMEDICALIZAÇÃO DA SEXUALIDADE RAQUEL CARDOSO OSCAR - IMS/UERJ
Apresentação/Introdução As respostas à Aids foram e são fruto de contextos específicos. As presentes considerações fazem parte de pesquisa de doutorado (ainda em andamento) cujo o objetivo é propor uma narrativa antropológica acerca do fenômeno da Profilaxia de Pré-Exposição (PrEP) que examine os desdobramentos da implementação deste tipo de tecnologia nas representações políticas e sociais da epidemia e da sexualidade.
Objetivos Demonstrar que a PrEP simboliza uma mudança significativa no paradigma de prevenção, pois está inserida no cerne do discurso biomedicalizante centrado no indivíduo e elaborado em torno das noções de autonomia, responsabilidade e gestão da sexualidade
Metodologia Revisão da literatura sobre as estratégias de prevenção do HIV desenvolvidas e distribuídas ao longo dos anos de enfrentamento à epidemia e etnografia documental realizada em dez arquivos a respeito do uso de medicamentos como artifício preventivo (diretrizes, recomendações e protocolos) publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) desde 2012, bem como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Profilaxia Pré-Exposição de risco à infecção pelo HIV (PrEP) e o documento sobre Prevenção Combinada, ambos publicados pelos Ministério da Saúde do Brasil em 2017.
Resultados Observa-se o deslocamento, dentro dos dispositivos de controle da epidemia, da gestão mediada por diversos níveis de recursos humanos para a gestão centralizada nas ações do indivíduo. O discurso adotado nos guias e protocolos aposta na eficiência da tecnologia medicamentosa e no engajamento individual para com as rotinas de prevenção prescritas. Não dizem sobre ações pedagógicas de sexo protegido, por exemplo. Dessa forma, se verifica a economia das forças de trabalho fundamentais para a promoção de políticas preventivas efetivas em prol do incentivo ao gerenciamento individual das condutas sexuais “seguras”, ignorando um debate franco sobre como conciliar excitação e proteção.
Conclusões/Considerações O desafio está em, mais uma vez, complexificar as respostas biomedicalizantes para a epidemia e nos esforçar em reassumir as relações cruciais entre o contexto da Aids, as dinâmicas sexuais de grupos distintos e as circunstâncias de risco que cada indivíduo se coloca ao longo de sua trajetória de vida. A “pílula mágica anti-HIV” não é solução. O debate no século XXI precisa convergir direitos, informação, tecnologia, assistência e sexualidade.
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