26/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO22a - Intervenções em ambientes e processos de trabalho |
26830 - SAÚDE DOS PESCADORES PROFISSIONAIS DA PESCA ARTESANAL COOPERATIVA COM BOTOS NA BARRA DO RIO TRAMANDAÍ (RS) LARA YELENA WERNER YAMAGUCHI - UFRGS, HELENA BOTELHO SENNA - UFRGS, DANIELA SANFELICE - IFRS RESTINGA, MARLISE AMALIA REINEHR DAL FORNO - UFRGS
Período de Realização A partir de janeiro de 2016.
Objeto da Experiência Comunidade de pescadores artesanais de tarrafa que realizam a tradicional arte pesqueira da barra do Rio Tramandaí (RS) em cooperação com botos.
Objetivos Fortalecer a comunidade de pescadores e pescadoras profissionais artesanais da Barra do rio Tramandaí através do suporte ao seu reconhecimento enquanto Comunidade Tradicional (Decreto nº 6040/2007), e articulação com as políticas públicas de proteção e amparo, com ênfase na Saúde do Trabalhador.
Metodologia Observação participante propiciada pelo projeto de Extensão Tecnológica “Fortalecimento da Pesca Artesanal Cooperativa com Botos na Barra do Rio Tramandaí”, realizado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul campus Restinga. A interação entre pescadores e golfinhos nariz-de-garrafa, observada na pesca da tainha, acontece há 80 anos, sendo uma das mais ritualizadas no mundo. As questões de saúde foram abordadas em um dos eixos estruturais através de rodas de conversa, observações e relatos.
Resultados Foram observados agravos à saúde relativos à rotina ocupacional e acidentes de trabalho, dentre eles: problemas oftálmicos (perda progressiva da visão) decorrente da intensa exposição solar; problemas do sistema musculoesquelético e circulatório; problemas neuromusculares e articulatórios (dores nas costas, coluna, braços e pernas); cefaleia recorrente; lesões de pele; automedicação e dependência química (tabaco e álcool); além dois casos de neoplasia maligna em um grupo de 10 pescadores.
Análise Crítica A invisibilidade do trabalho de comunidades tradicionais dificulta o acesso destas à saúde, dentro do enquadramento da saúde do trabalhador. A especificidade do trabalho dos pescadores profissionais artesanais, realizado na orla (considerada zona urbana) conflita com as disposições normativas para o desenvolvimento de políticas públicas de amparo a populações rurais, além da falta de fiscalização de proteção à pesca artesanal e turismo predatório (pesca ilegal), prejudicando sua sobrevivência.
Conclusões e/ou Recomendações O pescador profissional artesanal, embora considerado patrimônio cultural e histórico, não encontra respaldo nas políticas públicas para a continuidade do seu ofício que, embora sustentável, conservacionista e integrante da formação identitária do território, caracteriza-se também pela vulnerabilidade e insalubridade. É necessária a integração entre as estratégias de Saúde da Família e do Trabalhador, além de outras políticas intersetoriais.
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