28/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC22e - Saúde dos Trabalhadores do Campo, da Floresta e das Águas e em situação de informalidade |
21633 - EXPOSIÇÃO AOS AGROTÓXICOS E O PROCESSO DE TRABALHO NA AGRICULTURA FAMILIAR: VULNERABILIDADES E RISCO. EVANGELINE MARIA CARDOSO - UEA, CEREST/AM E ILMD, SOCORRO DE FÁTIMA MORAES NINA - UEA, CEREST/AM, COSMO VIEIRA ROCHA NETO - UEA, NAILTON RIBEIRO LOPES - FVS/AM, CINTHIA VIVIANNE DOS SANTOS CARVALHO - CEREST/AM, ADENILDA TEIXEIRA ARRUDA - UFAM E ILMD
Apresentação/Introdução Os agrotóxicos são utilizados para aumentar a produtividade e reduzir perdas causadas por pragas e plantas daninhas, no entanto, o uso inadequado na forma e quantidade, pode levar a intoxicações, principalmente aos trabalhadores que manuseiam esses produtos. Os danos sobre a saúde incluem as intoxicações crônicas que pode culminar com o desenvolvimento de enfermidades graves e óbito.
Objetivos Avaliar o processo de trabalho sobre as condições referentes ao uso de agrotóxicos numa área de uso intensivo desses produtos, com vistas a identificar o risco de exposição decorrente da atividade laboral a partir da análise da relação saúde/trabalho/ambiente.
Metodologia Estudo quantitativo, de corte transversal e caráter exploratório, realizado em propriedades agrícolas de uma comunidade rural do Amazonas, cuja principal atividade produtiva é a fruticultura. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionário com questões fechadas e abertas, relacionadas ao processo e condições de trabalho, referentes ao uso de agrotóxicos. As perguntas foram respondidas pelo proprietário ou responsável pela unidade agrícola. Os resultados foram analisados no Programa Statistics Package for Social Science – SPSS, sendo realizada análise descritiva dos dados. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Amazonas.
Resultados Os resultados referem-se a 104 propriedades agrícolas, com tamanho médio de 17 hectares e 389 trabalhadores, a maioria homens, em regime de agricultura familiar, meeiros e arrendatários. A água para consumo provem de poços perfurados(76,9%) e 18,3% retiram dos rios, pois 60,1% tinham curso de água na superfície a uma distância média de 194 m. do plantio. Na maioria, o manuseio dos agrotóxicos era realizado por trabalhadores específicos, mas sem qualificação para executar as tarefas. Apesar de reconhecer o agrotóxico como um contaminante potencial, a maioria os guardava em locais inapropriados(65,4%), as embalagens descartadas no ambiente(73,1%) e o EPI completo usado em 4,8% das propriedades.
Conclusões/Considerações A exposição de trabalhadores, suas famílias e ambiente foi evidenciada a partir da constatação de hábitos incorretos nas práticas laborais. O risco de intoxicação crônica por via oral é real, pois há consumo de água diretamente dos rios. Esse cenário é coadunado ao insuficiente conhecimento sobre os perigos a que estão expostos, apontando para a necessidade de grande investimento em educação em saúde para redução do risco e impacto na saúde.
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