27/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC30a - Vulnerabilidades Variadas |
22811 - REFLEXÕES SOBRE DIREITOS HUMANOS E A PROFISSÃO CATADOR DE MATERIAIS RECICLÁVEIS A PARTIR DA OBRA DE CAROLINA DE JESUS MABEL MELO SOUSA - ENSP, GABRIEL EDUARDO SCHÜTZ - UFRJ
Apresentação/Introdução Os catadores de material reciclável realizam um serviço de utilidade pública muito importante no contexto urbano atual. Porém, esses profissionais buscam sua sobrevivência e inserção no mundo do trabalho num cenário extremamente precário, sem as mínimas condições de salubridade e numa situação de desamparado nas esferas jurídica e trabalhista, com sérios casos de violação de direitos humanos.
Objetivos Analisar a catação de materiais recicláveis sob a perspectiva do livro “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, em que Carolina Maria de Jesus apresenta elementos importantes de reflexão acerca da (não) garantia de direitos humanos à profissão.
Metodologia A obra abordada consiste em um diário de Carolina dos anos 1955 e 1958, com relatos quase sempre acompanhados de ponderações frente à realidade vivenciada, tanto pessoal quanto política, civil e socialmente, envolvendo críticas e sensibilidade com o retrato do vivido. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre a atividade de catação e garantia de direitos humanos para a compreensão da experiência profissional e de vida da catadora e escritora, sendo respeitada a forma dos seus escritos, mesmo aqueles que contém erros ortográficos, gramaticais e/ou de concordância, como ocorreu no livro. A análise foi dividida nas categorias condições de vida, atividade laboral e concepções e valores.
Resultados Os direitos humanos dizem respeito ao simples fato do indivíduo existir, sendo os básicos garantia a vida, família, alimentação, educação, trabalho, liberdade, religião, orientação sexual e meio ambiente sadio. Os relatos de Carolina mostram que sua família teve a maioria desses direitos negados, porém, talvez a principal violação tenha sido a uma alimentação digna. Profissionalmente, além da má remuneração, do preconceito e da falta de reconhecimento, os catadores, assim como a escritora, são desprovidos de amparo quanto às garantias trabalhistas. Mesmo com pouco estudo formal, a catadora demonstrou conscientização acerca da sua posição na sociedade e no mercado de trabalho.
Conclusões/Considerações Adentrar na esfera da miséria humana na exposição de Carolina requer do leitor coragem, pois é triste conhecer o cotidiano de pessoas que não têm certeza de que terão o que comer nas próximas horas. A profissão de catador consiste em mais um fruto do sistema econômico vigente, que privilegia alguns indivíduos em detrimento da grande massa, mas vale aprender com a escritora a lutar contra as adversidades do dia-a-dia e manter firmes os valores.
|