29/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC30e - Pessoas Privadas de Liberdade |
28202 - PRODUÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE ÀS PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE NAS UNIDADES PRISIONAIS DE UMA CAPITAL BRASILEIRA. ADRIANA CERQUEIRA MIRANDA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, ERENILDE MARQUES DE CERQUEIRA - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA, MARCELO TORRES PEIXOTO - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
Apresentação/Introdução A população privada de liberdade possui vulnerabilidades relacionadas ao processo de desigualdade social a que já eram submetidas antes de serem condenadas, acentuado pelas condições de reclusão a que estão submetidas. O Ministério da Saúde busca organizar as ações e os serviços no sistema prisional com base nos princípios e diretrizes do SUS, como estratégia para garantir o cuidado em saúde.
Objetivos Analisar a produção do cuidado em saúde às pessoas privadas de liberdade em unidades prisionais de uma capital brasileira.
Metodologia Estudo qualitativo, do tipo exploratório, realizado entre março e abril de 2014, em duas unidades do Complexo Penitenciário da Mata Escura, Salvador-Bahia. Os dados foram coletados através de entrevista semiestruturada e observação sistemática. Os sujeitos foram 21 pessoas entre trabalhadores de saúde, usuários do serviço e gestores. Utilizou-se a Técnica de análise de conteúdo e emergiram três categorias de análise: produção do cuidado – o modelo biologicista como protagonista do trabalho em saúde; produção do cuidado - um olhar sobre o cuidar na atenção à saúde das pessoas privadas de liberdade; e potencialidades e fragilidades – caminhos para a implementação da produção do cuidado.
Resultados Os resultados evidenciaram que a produção do cuidado em saúde nos cenários estudados está alicerçada no modelo médico assistencial privatista através da produção de atos de saúde fragmentados. O cuidado em saúde analisado com base nos dispositivos de acolhimento, vínculo e resolubilidade demonstrou que a inserção das tecnologias leves ocorre de forma pontual e individual. Quanto às potencialidades e fragilidades evidenciadas, percorreram as questões da organização do serviço, equipe de saúde e estrutura física, material e recursos humanos. Observou-se que as questões de segurança têm uma interferência direta na organização dos serviços de saúde dos estabelecimentos prisionais.
Conclusões/Considerações Percebe-se que a realização do trabalho em saúde deve ampliar o diálogo, estreitando relações com outros setores da sociedade, com intuito de responder as demandas de saúde das pessoas privadas de liberdade. O estudo mostra ser indispensável que trabalhadores e gestão reflitam sobre a produção do cuidado nos ambientes prisionais, construindo relações que permitam que o ambiente das prisões sejam produtores de vida e garantam a dignidade humana.
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