29/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC25e - Saude bucal COC 5 |
24991 - INTERFERÊNCIA DA CONDIÇÃO BUCAL NA QUALIDADE DE VIDA DE ADOLESCENTES RURAIS QUILOMBOLAS E NÃO QUILOMBOLAS DO INTERIOR DA BAHIA ETNA KALIANE PEREIRA DA SILVA - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, RENART SANTOS COSTA - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, DANIELLE SOUTO DE MEDEIROS - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Apresentação/Introdução A saúde bucal é um aspecto relevante na vida dos adolescentes. Uma percepção desfavorável da saúde bucal influencia na autoestima e socialização desse grupo. Além da dimensão social, as condições bucais podem ter impactos negativos na qualidade de vida em dimensões físicas como dificuldade para comer e escovar os dentes e psicológicas a exemplo de dificuldade para dormir e vergonha ao sorrir.
Objetivos Estimar a prevalência e identificar fatores associados a ocorrência de pelo menos um impacto negativo da condição bucal na qualidade de vida de adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas.
Metodologia Estudo transversal de abordagem domiciliar, realizado em 2015, com adolescentes residentes em comunidades rurais quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares e não quilombolas de Vitória da Conquista - BA. A interferência negativa da condição de saúde bucal na qualidade de vida foi avaliado por meio do questionário Oral Impacts on Daily Performance (OIDP), que leva em conta os seis meses anteriores à entrevista. Estimaram-se prevalências, razões de prevalência e os respectivos intervalos de confiança de 95%. Análise múltipla foi conduzida por meio de regressão de Poisson com variância robusta, adotando a entrada hierárquica de variáveis explicativas.
Resultados Dos 167 adolescentes quilombolas e 223 não quilombolas entrevistados, a ocorrência de pelo menos um impacto negativo da condição bucal na qualidade de vida foi relatada por 43,1% e 47,5%, respectivamente. Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos. Os seguintes fatores permaneceram associados ao desfecho avaliado entre os quilombolas: maior idade (RP=1,10), pior autoavaliação da saúde bucal (RP=1,91), necessidade de tratamento dentário (RP=1,49) e dor dentária nos últimos seis meses (RP=1,83). Entre os não quilombolas, mantiveram-se independentemente associados o sentimento de solidão às vezes (RP=1,46) e dor dentária nos últimos seis meses (RP=1,75).
Conclusões/Considerações A interferência negativa da condição bucal na qualidade de vida foi referida por grande parte dos adolescentes estudados. Os fatores associados à essa prevalência diferiram entre quilombolas e não quilombolas. Esses achados evidenciam a necessidade de melhorias no cuidado a saúde bucal desses grupos populacionais e a importância da incorporação de estratégias que considerem o contexto sociocultural do adolescente na atenção à saúde bucal.
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