26/07/2018 - 13:10 - 14:40 CO29e - Loucura e cidadania (arte, cultura, militância e economia solidária) - Sessão 1 |
22289 - ENCONTRANDO-SE NA LEITURA: A DINÂMICA DO LABORATÓRIO DE HUMANIDADES (LABHUM) COMO MEIO DE REFLEXÃO E AUTO COMPREENSÃO EM UM GRUPO PSICOTERAPÊUTICO MARIA SÍLVIA MOTTA LOGATTI - UNIFESP, DANTE MARCELLO CLARAMONTE GALLIAN - UNIFESP, NADIA VITORINO VIEIRA - UNIFESP
Apresentação/Introdução A experiência ocorreu de janeiro a novembro de 2014 e teve como objetivo investigar se a leitura e discussão de clássicos da literatura mundial, com um grupo psicoterapêutico de pacientes psiquiátricos, pode ser uma forma de facilitar a abordagem e a compreensão da vivência de cada um em relação a sua vida e sua enfermidade, e consequentemente possíveis usos terapêuticos desta ferramenta.
Objetivos Verificar se o laboratório de humanidades pode ser uma ferramenta terapêutica a ser utilizada com grupos psicoterapêuticos de pacientes psiquiátricos, como uma forma humanizada e complementar de tratamento, sem abrir mão de outros tratamentos.
Metodologia O Laboratório de Humanidades surgiu de forma experimental em 2003 e deste então apresenta-se como uma proposta de formação humanística e humanização em saúde, a partir da experiência estético-reflexiva com a leitura de clássicos da literatura mundial. A pesquisa se deu em conjunto com o “Grupo Vida”, grupo psicoterapêutico de pacientes psiquiátricos. Durante um ano, foi realizada esta metodologia, com a leitura e discussão de duas obras: “O Alienista” de Machado de Assis e “Sonho de um homem ridículo” de Dostoievski. Após a participação, os pacientes foram convidados a forneceram entrevistas segundo a metodologia da História Oral de Vida. Sete participantes forneceram duas entrevistas cada um.
Resultados Foi possível reunir quatro aspectos que podem ser considerados terapêuticos e que o laboratório foi um facilitador: 1) O laboratório apresentou um novo mundo, um novo olhar que tirou os participantes de suas rígidas convicções e abriu novas possibilidades de refletir a respeito de suas vidas; 2)O laboratório ofereceu a possibilidade de acolhimento e reorganização das novas experiências que estavam ocorrendo com os pacientes a partir da leitura das obras; 3) O laboratório ofereceu a oportunidade dos pacientes trazerem experiências de vida que não costumavam trazer; 4) O laboratório trouxe a possibilidade dos pacientes trazerem assuntos de sua vida sem entrarem em uma postura defensiva.
Conclusões/Considerações A partir dos resultados, é possível afirmar que o Laboratório de Humanidades pode ser uma ferramenta terapêutica com grupos de pacientes psiquiátricos, a ser utilizada de forma complementar aos tratamentos habituais. Uma vez que este auxilia na auto compreensão , na ampliação de visão de mundo e na reinserção na sociedade destes pacientes. Sendo uma forma humanizada de tratamento.
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