28/07/2018 - 08:00 - 09:50 COC29i - Reabilitação psicossocial e recovery / Prevenção de adoecimento e promoção da saúde |
26126 - O PROCESSO DE ESTIGMATIZAÇÃO DA LOUCURA NARRADO POR USUÁRIOS DE UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DO ALTO SERTÃO PARAIBANO ALESSANDRA ANICETO FERREIRA DE FIGUEIREDO - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, ROSINEIDE DE LOURDES MEIRA CORDEIRO - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Apresentação/Introdução Compreender o processo de estigmatização da loucura, perpassa entender como as pessoas são incluídas em categorizações sociais e passam a ter atributos que indicam o que elas são ou podem ser. Assim, vai se constituindo a diferenciação entre “nós, os normais” e “vocês, os anormais”, num jogo complexo de identificação e reconhecimento social.
Objetivos Realizamos uma pesquisa com usuários de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I), localizado na cidade de Itaporanga-PB, objetivando analisar os discursos de pessoas em sofrimento psíquico sobre a loucura e seu processo de estigmatização.
Metodologia Assentamo-nos em uma abordagem qualitativa de pesquisa, tendo como aporte teórico-metodológico a Psicologia Social Discursiva, para a qual os discursos são formas de ação social. A pesquisa foi desenvolvida em dois momentos: no primeiro, realizamos observação participante; no segundo, montamos rodas de conversa. A observação participante foi realizada com todas as pessoas que circulavam no CAPS I. Participaram das rodas sete usuários do serviço, que estavam em regime de tratamento intensivo e que aceitaram o convite para participar das atividades. As rodas foram áudio-gravadas e transcritas na íntegra. Analisamos o material pesquisado, a partir do referencial da Psicologia Discursiva.
Resultados Há um movimento constante de aproximação das pessoas em sofrimento psíquico das categorias louco/doido/maluco, ou de características que possam caracterizá-los como tal. Essas classificações trazem o estigma da violência, da instabilidade, do animal, que deve ser contido, excluído, separado de outras pessoas ditas “normais”. As pessoas que participaram do estudo tentaram afastar de si a postura do sujeito agressivo, do insano, daquele que é um perigo para o outro, a fim de que pudessem ser respeitados. Para elas, os sujeitos que ficam internados em hospitais psiquiátricos, manicômios, clínicas, hospícios caracterizam essas pessoas “doidas”.
Conclusões/Considerações Os sujeitos, que compuseram este estudo, reiteram o fato de que as pessoas “doidas” são piores do que eles, para serem tomados como melhores e, portanto, para serem aceitos socialmente e terem seus direitos garantidos. Classificar o outro como doido é uma estratégia discursiva utilizada para se distanciar daquilo que irrita, que agride, que exclui, mas também daquilo que viola direitos, liberdades básicas humanas e produz vida.
|