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21520 - DEVIR SURDO: ENSAIO SOBRE A PRODUÇÃO SOCIAL DA SURDEZ FRANCINE DE SOUZA DIAS - UERJ
Apresentação/Introdução Este estudo é um desdobramento da minha pesquisa de mestrado, defendida em 2017 pelo PPFH-UERJ. Parte da hipótese de que o sujeito não ouvinte é produto e efeito das relações entre poder e saber no âmbito da surdez, razão pela qual torna-se necessário conhecer e compreender como práticas discursivas e não discursivas operam neste campo, produzem e legitimam determinados modos de vida.
Objetivos Analisar mecanismos e técnicas de poder relacionados à produção de determinados saberes sobre a surdez; como tais micropoderes se relacionam de forma geral com o aparelho do Estado e como corroboram para a legitimação de determinados modos de vida.
Metodologia Foi realizada uma pesquisa de perspectiva genealógica, que possibilitou uma leitura da surdez como produção social e do sujeito não ouvinte como produto e efeito das relações entre poderes e saberes. Utilizei dois casos elucidadores: o primeiro com o objetivo de introduzir algumas questões importantes para a construção da pesquisa, e o segundo para ilustrar algumas tensões no campo das práticas e o que elas estão a produzir. Nesta análise foram utilizados documentos nacionais e internacionais que versam sobre os direitos das pessoas com deficiências, como apoio para pensar conflitos nos campos da educação, da saúde, da família e das lutas sociais no âmbito da surdez.
Resultados Verificou-se: contradições ético-políticas entre os dispositivos da educação e da saúde que tratam da surdez; atuações heterônomas de profissionais de saúde e de educação, baseadas unicamente em valores e preferências pessoais, ao tratar do modelo de assistência educacional e de reabilitação oferecidos a pessoas com surdez; atendimentos restritos que não consideram a diversidade de modos de vida na ausência da audição; diferente noção de autonomia e de padrão de normalidade entre saúde e educação: um faz ouvir, outro faz sinalizar.; necessidade de organização de espaços comuns de discussão entre surdos que sinalizam e surdos que oralizam.
Conclusões/Considerações A diversidade no campo da surdez deve ser pensada como potência de criação e de possibilidades. É preciso deixar que a singularidade de cada sujeito oriente seu modo de fazer, se organizar, se relacionar e de se criar e recriar no mundo. A experiência, tomada como fio condutor da reinvenção diária de cada indivíduo, possibilita sua existência fora de padrões externos que não lhes serve ou que os condiciona a diferentes modos de aprisionamento.
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